Quinta-feira, Junho 05, 2008

Canon EOS 450D

Ofereceram-me este brinquedo nos anos, de modo que se calhar um destes dias volta a haver uns bonecos por aqui... ;)

Domingo, Novembro 25, 2007

Balanço

Quando iniciei este blog, há mais de três anos, não sabia quanto tempo iria por aqui ficar. Essa questão não era, de todo, relevante: o importante era o facto de eu ter um espaço que era meu num mundo de letras, onde podia escrever quando me apetecesse sobre o que me rodeava, o que me deslumbrava, o que me aborrecia e o que me vinha à cabeça só por vir, numa altura em que em Macau me sentia muito só. Brinquei, escrevi coisas sérias, mostrei um pouco de Macau e um pouco de mim. Aterrei num bairro simpático e arejado deste mundo bloguista onde fiz bons amigos e tive sempre boa vizinhança. No fim de contas o balanço é positivo. E no fim de contas, porque há sempre um fim. Este blog não se encerra hoje: já terminou há muito, quando deixei de pensar em escrever nele com um impulso natural no meu dia-a-dia. Há muito que não serve a função para que foi criado: porque não tenho tempo, porque não me apetece, porque já não preciso. Por outro lado porque (apesar de se manterem os amigos e a boa vizinhança) a blogoesfera mudou muito, foi descoberta por gente que não interessa, tornou-se um local sujo e mal frequentado do qual não me apetece fazer parte. Esta pode ser uma perspectiva egoística da coisa, mas é a minha.
Os amigos que aqui fiz sabem onde e como me encontrar.
Gostei muito destes 3 anos e tal convosco.
Até à vista... ad tempus!

Domingo, Novembro 11, 2007

Lapsus linguae

O mais pequeno faz os TPC, muito mais interessado em tudo o resto que o rodeia, seja o que está a dar na TV, o que a irmã está a fazer no computador ou uma formiga que passa perdida perto dele. Olha para um molho de papéis meus e pergunta:
- Então o que é uma psi-co-pa-to-lo-gi-a?
- Aaaaa (como é que se explica isto a um miúdo de 9 anos?) Uma psicopatologia... olha é assim uma espécie de uma doença que algumas pessoas têm e por isso fazem muitas vezes coisas más como por exemplo estar sempre a roubar, a fazer mal a outras pessoas, a matar outras pessoas... como os serial killers...
- O que são os serial killers?
- (complicaste, parva!) Os serial killers são pessoas que matam muitas pessoas.
- Ah, pensei que eram pessoas que matavam cereais!

Uma interrupção...

Foi, porque o tempo livre é curto, porque nem sempre apetece escrever, ou porque o que apetece não convém escrever aqui. Lembro-me de a Cat, essa nossa magnífica veterana agora emigrada para a Rede Tubarão-Esquilo, dizer que "ter um blog é assim como bater uma punheta à janela com a vizinhança toda a ver". É isto mesmo. A blogoesfera é um bairro que nunca mais acaba, aberto a todos e mais alguém, não nos podemos esquecer disso. Não podemos dar-nos ao luxo de andar para aqui a escancarar demasiado a porta, não sabendo quem estará do outro lado pronto a entrar.
Por isso eu volto, ad tempus, quando o tempo, a vontade e as circunstâncias me chamarem para aqui. Mas tenho saudades, muitas saudades vossas :)

Segunda-feira, Outubro 15, 2007

Os doces da minha doce amiga

Tem mãos de fada. Nos bordados, na cozinha, na amizade.
Faz uns doces caseiros de provar e chorar por mais.
Corram já a http://docedabina.blogspot.com/ e encomendem um frasquinho com um pedaço de céu. Não se arrependerão.

Sucessos, amiga!

A Procura nos Outros

Só não se basta a si próprio o que não tem com que se bastar. Assim se explica que ele busque nos outros o que lhe falta em si mesmo. Isto deve estar certo. E todavia pode não estar. O que falta no que encontramos pode não ter que ver com o que lá está, mas com o que lá se procura. O erro está pois no que se não deve procurar. Posso procurar um sistema de ideias onde só encontro uma dose de senso comum. Posso encontrar uma côdea de pão onde procurei um bife com ovo a cavalo. Assim há que ir procurar no fornecimento alheio o que nos falta no próprio - em contentamento, em pacificação, em reconhecimento da glória de que duvido ou não tenho. E no entanto, a ambição puramente individual é à nossa medida que deveria talhar-se. Excepto talvez para o que sustenta essa ambição, ou seja para o que nos sustenta. Mas nesse caso a ambição chama-se justiça e já não é individual. E nesse caso fazem-se revoluções.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente IV'

Terça-feira, Setembro 11, 2007

O primeiro dia (de aulas) do resto da nossa vida

Ontem foi o primeiro dia de aulas. Não foi um primeiro dia de aulas igual aos outros e isso sentia-se no ar, no gozo do reencontro, na leveza de cada um de nós, na euforia, nas piadas, no riso, na boa disposição. Ontem foi o primeiro dia de aulas do nosso último ano de curso e isso fez toda a diferença.
Também fez toda a diferença estar entre amigos, que se este curso não me der mais nada, para além de tudo o que já aprendi (que não foi pouco) deu-me amigos, bons amigos. Daqueles que sei para sempre. Há uma cumplicidade que ultrapassa as salas de aula e os corredores, as pautas e as horas de estudo. Cada um de nós seguirá o seu caminho, por ventura longe uns dos outros, mas há algo mais forte que ficará no coração de todos para sempre.

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

O regresso

O regresso é sempre difícil e embora confesse que cada vez me custe menos, porque tenho que me render às evidências e concluir que Portugal está um país para ricos, é sempre difícil voltar a este canto no fim do mundo em que o céu é cinzento, o calor abrasador e as ruas e os passeios suportam mais que o limiar do sufocável. É aqui que eu vivo, é aqui e é agora. É sempre bom pôr isto num post, não que eu os releia, mas geralmente não me esqueço do que escrevo.

O regresso não foi fácil, nunca é. Este ano foi diferente, vim com o miúdo engessado o que, até confesso, não foi mais difícil. Desde Lisboa e até Macau tivémos sempre cadeira de rodas, acompanhamento e prioridade em todas as filas, só me queixo de não terem dado um lugar ao miúdo que lhe permitisse trazer o pé elevado, para não inchar. Mas parafraseando o senhor do check-in, "minha senhora, nem que fosse o Presidente da República eu lhe podia mudar o lugar". Coitado do nosso PR, imaginei-o logo a viajar em classe económica com uma perna engessada e atracada à cadeira do passageiro da frente. Foram as palavras mágicas que me fizeram desistir rapidamente de ser tão exigente e incompreensiva para a Air France, a quem habitualmente dou a ganhar 5000 euros por ano.

Também me queixo de ao chegar a Paris a cadeira de rodas só ter aparecido 25 minutos após a aterragem, quando eu tinha apenas uma hora para mudar de vôo, o que implica mudar de terminal. E de a minha acompanhante ser uma mocinha cheia de boa vontade, mas a quem encarregaram de transportar 3 passageiros com mobilidade reduzida para vôos diferentes (consequentemente para locais distintos do terminal). A separação foi inevitável e a apenas escassos minutos da hora de o nosso avião bater asas, estávamos por nossa conta e éramos os passageiros mais requisitados do aeroporto: toda a gente nos perguntava se íamos para Hong Kong e nos indicava o caminho. Não fora um funcionário alto e espadaúdo que já trazia uma cadeira de rodas na mão esquerda, agarrar na do meu filho pela mão direira e a empurrar a passos largos e não chegaríamos a tempo. A porta, como convinha, era a última daquele corredor do terminal. Eu e a miúda esfalfámo-nos a correr atrás daquela passada larga até que vejo os funcionários do embarque a acenar para nós. Fomos estrelas em Paris, por uns momentos. Os motivos não interessam - fomos estrelas em Paris - fica bem os meus leitores saberem disto! Entrámos às 23:10 num avião que era suposto descolar às 23:15, o que é claro que não aconteceu. O resto da viagem decorreu sem sobressaltos, eu até dormi, leram bem, EU DORMI!

O meu jet-lag está optimo, nem com o cocktail-mata-ratos para dormir da minha mãe parece querer resolver-se. Há uma semana que adormeço entre as 4 e as 5 da manhã e acordo lá para o meio-dia ou uma da tarde. Mas isto esta semana resolve-se... a mal, mas resolve-se. Hoje já começam as aulas para todos, não há nada como levantar às 7 da manhã para começar a ter sono mais cedo (assim espero).


E se a normalidade é o que se aproxima, então sejam muito benvindos!

Quinta-feira, Julho 12, 2007

Parabéns, Ondinha!!!


(eu não sei pintar, mas a minha Mãe sabe! :) )

As ondas também fazem anos! E esta onda é especial. É uma onda que se enrola num mar de palavras e nos transporta na sua brisa mais além, sempre mais além, onde o azul do mar se confunde com o do céu e nos salpica do seu encanto.
PARABÉNS, VAGUE! :)


(eu sei que por cá já vou atrasada, mas como aí ainda vou a tempo, isso é que conta, que eu estou cá mas é como se aí estivesse, tanto mais que daqui a dois dias já aí estou! :P )

Domingo, Julho 01, 2007

As bolas não!!


Foto: Noite (tirada com o telemóvel)

Junto a uma mesa de matraquilhos, num restaurante português.

Domingo, Junho 24, 2007

Os guardanapos a metro


Foto: Noite (tirada com o telemóvel)

Em complemento deste post: eis os guardanapos a metro!

(Urso: estava difícil! ;) )

Sábado, Junho 23, 2007

ESTOU NO 5o. ANOOOO!!!

(ainda me faltam duas para ir "limpa", mas o que interessa é que estou lá!) :)

Sexta-feira, Junho 08, 2007

APADEDICA Journal

Que queres que te conte?

Que dei os parabéns ao CAP no dia anterior?

Ou que um destes dias fui buscar o meu filho à escola trajando uns belos chinelos daqueles ortopédicos brancos como usam as enfermeiras? (o que vale é que dei conta a tempo e não saí do carro!)

Sempre em forma, portanto! ;)

Atirem-me setas, eu mereço!

Acabei de descobrir que atirar setas é uma arte que se não for bem executada pode levar a resultados catastróficos (foram 7 valores para o galheiro por causa de umas setas ao lado).

(so DIP, I just drowned...)

Quarta-feira, Junho 06, 2007

Deep in DIP

Tão lá ao fundo, tão lá ao fundo, tão lá ao fundo, que duvido conseguir vir ao de cima e respirar a tempo...

Quinta-feira, Maio 24, 2007

Sesta


Foto: Noite (Xangai)

Sim, que hoje por aqui é feriado ;)

Quarta-feira, Maio 23, 2007

O de baixo é meu!

A UGT enviar uma carta a Edmund Ho em que critica e repudia a actuação das forças policiais locais nos incidentes do 1o. de Maio não será uma ingerência nos assuntos internos aqui do burgo??

Há uns senhores que de vez em quando se esquecem (e outros que fazem por se esquecer) que isto já não é uma extensão do jardim à beira-mar plantado...

Sexta-feira, Maio 18, 2007

Tira o pé do acelerador!

Fui multada por excesso de velocidade... :(

(eu já te tinha dito que andasses mais devagar, que eles andam aí, mas tu nunca ouves nada do que eu digo! E agora desembolsa lá MOP 500,00, que é para aprenderes e vê lá se tens cuidadinho, que para a próxima ainda pagas mais e à terceira vais a tribunal! Também me fizeram soprar no balão - deu 0.00, que eu ia bêbeda mas não era de álcool, era de ira!)

Segunda-feira, Maio 14, 2007

E tudo começou...

Com o chinês. O primeiro exame da época, o último de chinês.
Os últimos são sempre os primeiros...

Domingo, Maio 13, 2007

Dúvida

Não percebo porque a manifestação não pode passar nas artérias principais e a procissão já pode...

Sábado, Maio 12, 2007

Coincidências

O meu marido foi 3 semanas para fora em trabalho e regressou todo bronzeado.
Eu ando a estudar o divórcio.

Sexta-feira, Maio 11, 2007

Do cansaço

Deita tarde, acorda cedo, leva, traz, os horários desencontrados, as actividades, tens trabalhos, tens teste, não faças isso, sim podes fazer aquilo, não chateies o teu irmão, deixa a tua irmã estudar, o que é o almoço, o que é o jantar, falta isto em casa, daquilo também já não há, à noite as aulas, a falta de paciência, a falta de vontade, a pressa, só mais um bocadinho, temos que terminar, um intervalo roubado, dois, três, e então lá nos vemos no dia, boa sorte, está a acabar, não está não, ainda nem começou, novamente em casa, ainda não dormes, toca a dormir que amanhã há escola, não, na minha cama não que já és crescido, o miúdo que adormece, o xixi da noite, o relógio que não pára e o sono que não chega, uma ajudinha, tem que ser e mal fecho os olhos a noite confunde-se com o dia e tudo recomeça.

Há 3 semanas que sou Pai e Mãe com aulas à noite e exames à porta. Não recomendo, não é interessante e não fez de mim super-mulher. O cansaço começa a notar-se nas minhas olheiras (claro!), nos momentos APADEDICA e na falta de paciência. Para não variar, a maldita da insónia apanhou o lugar do lado na minha cama vazio e resolveu enfiar-se lá. Isto vai bonito, vai e ainda a procissão não saiu do adro (o calvário é imenso!)

(sim, eu gosto de me queixar, alivia)

Quinta-feira, Maio 03, 2007

Os polícias cá do burgo

A questão do post anterior leva-me a reflectir sobre o que observo todos os dias na postura dos agentes policiais desta terra. Não sei qual é a sua formação profissional neste momento, mas apercebo-me da formação pessoal de muitos eles. Uma pessoa para ser polícia tem que ser à partida bem formada, ter espírito de cooperação e de zelo pelos restantes membros da comunidade, o que não me parece ser a atitude de muitos miúdos que andam por aí de óculos escuros e postura indigna, a passearem-se dentro das fardas da autoridade. Julgo que quem cá vive se aperceberá do mesmo e eu posso lembrar-me assim de repente de alguns exemplos e situações a que tenho assistido. Atenção, que eu não quero generalizar e admito que haja excepções, mas não me tenho deparado com elas.

Os polícias não tiram os óculos escuros quando falam com as pessoas, são incapazes de ser simpáticos, têm uma postura arrogante e não descalçam o seu ar importante, nem mesmo quando quem se lhes dirige não traz um problema, tão-só um pedido de informação;
Os polícias só falam outra língua que não o chinês quando lhes convém; quando a conversa não lhes agrada têm súbitos ataques de amnésia e só sabem falar o chinês;
Os polícias passeiam-se de mota cometendo as maiores atrocidades às regras de trânsito, como pisar traços contínuos, ultrapassar onde não é permitido e até conduzir em contramão; até parece que só por serem polícias estão isentos do código da estrada;
É muito comum ver um polícia a "guardar" uma esquina, na sua pose descontraída e distante, olhando para os carros que passam e não se movendo do seu lugar, ainda que se aperceba perfeitamente de que 100 metros à frente dava jeito que alguém controlasse a confusão que se instalou no trânsito;
Um polícia pode multar 10 carros que excederam o tempo de parquímetro, mas se no mesmo local houver 20 carros estacionados em local proibido, ou motas no meio da estrada, nada faz;
Quando há corridas à noite e um polícia é destacado para ficar de vigilância ao local, apenas faz isso; se houver carros estacionados em cima de uma passadeira mesmo à frente do seu nariz, nada faz, porque não foi isso que veio ali fazer (acontece frequentemente aqui ao pé de casa, já me aconteceu dirigir-me a um destes polícias para reclamar porque um vizinho de uma vivenda tinha tabuletas, blocos de cimento, grades, etc. em frente à sua vivenda para ninguém estacionar ali e o polícia disse-me para...chamar a polícia [ele estava só a guardar a esquina, pois claro]);
Um destes dias eu e os meus filhos quase fomos atropelados numa passadeira, havia um polícia a guardar a esquina que assistiu a tudo e nem se moveu! Quando passei por ele disse-lhe que era melhor tomar atenção aos carros nas passadeiras e ele respondeu-me "ok" e continuou imóvel (estaria colado ao chão?)

São apenas exemplos de uma postura que não é de todo a que se espera da autoridade. A autoridade não tem que ser arrogante nem diferente dos demais. Não deve viver na ideia de que é autoridade, de que tem a força e o poder, de que está acima, mas sim que está ali e existe para colaborar e manter a ordem em caso de necessidade. Não me parece que os polícias estejam preparados para lidar com as pequeninas situações do dia-a-dia, quanto mais para manterem a ordem perante uma manifestação e muito menos (alguém nos livre!!) de acorrerem a uma tragédia.

Disparar ou não disparar, eis a questão

Afinal nos tiros para o ar disparados por um agente policial na manifestação de anteontem foi atingida uma pessoa. Tem-se levantado algum burburinho sobre esta questão: foi ou não correcta a atitude do agente policial ao disparar? O mau da fita é o polícia ou os manifestantes? Como em tudo as opiniões dividem-se e eu também tenho a minha, muito embora prefira falar na generalidade, porque não assisti ao que se passou.

A manifestação de anteontem tinha pouco mais de 2000 pessoas (não eram 70.000 como em Lisboa, ou mais como em outros locais em que também há distúrbios mas não chega a haver tiros para o ar). Em Hong Kong há muitas vezes manifestações e algumas vezes distúrbios e as autoridades têm sabido lidar com eles. As de Macau não, não estão habituadas ou não terão preparação. Um polícia deve ser preparado para reagir da forma necessária quando é necessário e só nesse momento, não? Deve saber manter o sangue frio e escolher as reacções e os meios mais adequados para intervir em cada situação, a cada momento. Ora, parece-me que apesar de o momento poder carecer de alguma intervenção, o modo de actuar terá sido despropositado. Uma arma de fogo é um instrumento perigoso que pode ceifar uma vida ou ferir com gravidade; deve ser apenas utilizada em último recurso, numa situação-limite. Não me parece que se tenha chegado a essa situação, que aquela fosse a única forma, nem a melhor forma de acabar com os distúrbios existentes, nem que tenha sido necessário. Dispondo a polícia de outros meios menos danosos que resolveriam igualmente a questão (que os havia) e dados os meios utilizados pelos manifestantes nos distúrbios (ao que consta não havia ninguém armado), então deviam ter sido utilizados esses outros meios. Se à mínima coisa os polícias puderem desatar por aí aos tiros, então estamos mal entregues.

É a minha opinião. São livres de discordar.

Quarta-feira, Maio 02, 2007

Abriu a época balnear!

Depois de uns quantos dias de chuva, o tempo ajudou à festa! A mais velha lá foi abri-la mais as amigas. É claro que, sem a Mãe por perto a mandá-la embrulhar-se em protector a cada duas horas, apanhou um escaldão! Muito corpo e pouco juizo...
O mais pequeno protestou e chorou com razão, coitado, também queria ir. Dei-lhe muitas desculpas, mas nunca a verdadeira; é que não me apetecia nada ir passear as banhas para o alcance dos olhares atentos da platéia de Cheok van, não tenho paciência, longe vão os tempos em que a tinha (e em que não tinha banhas).

Terça-feira, Maio 01, 2007

O 1º de Maio em Macau

A contragosto dos governantes decorreu hoje, 1º de Maio, uma manifestação contra os trabalhadores ilegais (parece que são muitos na Região) e a corrupção (que ao que parece também é muita).

Apesar de o plano inicial dos manifestantes ser subir a Avenida Almeida Ribeiro, uma das vias mais movimentadas aqui do burgo, o percurso foi desde logo delimitado pelas autoridades a zonas menos expressivas da cidade. Houve tentativas de rompimento do cerco policial pelos manifestantes e tiros disparados para o ar pelas autoridades, que por aqui gostam muito de fazer jus ao nome. A manifestação não chegou ao Largo do Senado como inicialmente previsto, porque foi convenientemente dissipada antes. Uma vergonha, ao que parece.

Eu não assisti a nada disto, passou-me tudo ao lado, mas podem ver mais pormenores e imagens aqui no Leocardo.

Enfim... novelas de um fim de tarde, numa terra em que a luta pelos direitos continua a ser vista como algo de anormal...

1º de Maio

Lembro-me dos 1º de Maio em Lisboa quando eu era miúda, das manifes, das tardes na Alameda, dos cartazes, das palavras de ordem, da união e da euforia. Era demasiado pequena para entender o que em concreto estava a acontecer, mas suficientemente crescida para sentir o que de muito forte havia no ar, nas pessoas, em tudo o que me rodeava.
Sinto falta desses tempos. Era preciso algo assim, era preciso...

Cantigas de Maio, poemas em flor

Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul

Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar

Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar

Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu


Maio, Maduro Maio
Zeca Afonso

Segunda-feira, Abril 30, 2007

Dúvida existencial

Será que eu algum dia vou chegar a perceber alguma coisa de DIP?

(L1, L2, L3, uma seta, duas setas, três setas...)

Sábado, Abril 28, 2007

Coelho fora da cartola

Passeava-se esta manhã, ali para as bandas do Largo do Senado.

(como diz alguém que eu conheço, a Macau ninguém vem só passear...)

Inspire... expire...

Inspiro, inspiro, mas não há nada que o meu pensamento construa quando expiro e que valha a pena sair-me das pontas dos dedos para este pedacinho de papel virtual que me calhou.
Aproximam-se tempos difíceis e parece que nada mais paira na minha cabeça senão o que tenho que saber e o que tenho que mostrar que sei, o que não faz muito sentido nem tem piada nenhuma. Mas tem que ser, afinal a própria vida é um exame e eu estou à prova todos os dias e a cada passo. E acho que ela não me tem corrido mal, a vida. E a vontade? A vontade! Essa não sei onde ficou, deve andar algures perdida no molho de letras que já li. Tenho que passá-la rapidamente para o outro molho, o das que ainda não li e que repousa em sossego à espera de melhores dias, senão não vou longe. E tenho mesmo que ir... longe e depressa... e já agora bem!

A galope

De repente os meus professores resolveram dar as aulas a cavalo...

Quarta-feira, Abril 25, 2007

25 de Abril - Sempre!



Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.


Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.

Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.

Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.

Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.

Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação

uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.

Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.

Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.

Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.

Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.

Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.

Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
– é força revolucionária!

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.

E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.

Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.

Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.

Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril f
ez Portugal renascer.

E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.

Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.

Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.

Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.

Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.

E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.

A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.

Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.

E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.

Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.

Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.

E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.

Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.

Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.

Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.

Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.

Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
— cumpriu-se a revolução.

Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.

Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.

E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.

Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.

E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.

Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.

Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.

Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.

Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.

Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.

Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
– Não havia estado novo
nos poemas de Camões!

Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.

Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram

das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.

Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.

E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.

Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser

pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.

No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!

É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.

Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.

Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.

Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu
!


"As portas que Abril abriu"
José Carlos Ary dos Santos
Lisboa, Julho-Agosto de 1975

Isabel: o 25 de Abril existe no coração de todos os que acreditam nos valores da democracia e da liberdade. Existe também em todos os que teimam em não ver, mas que se servem deles todos os dias. É bom ter asas e poder voar... :)

Terça-feira, Abril 24, 2007

A censura cá de casa

A censura cá de casa é um menino de 8 anos que está sempre atento aos deslizes dos que o rodeiam. Não diz asneiras, faz um ar chocado quando as ouve e só as repete soletrando, para ralhar ou fazer queixas: "aaaaaah mãe, tu tisseste pê-ó-érre-érre-à", "aaaaaah, a joana disse pê-à-érre-vê-ó", ou "aaaaaah pai, tu disseste éme-é-érre-dê-à". Para a censura cá de casa, "caraças", "caramba", "xiça" e "porcaria" também são palavrões e torna-se complicado sobreviver com ele por perto com um léxico tão reduzido, quando nos magoamos ou vamos a conduzir.

O fiscal cá de casa não deixa ninguém atravessar se o semáforo para os peões estiver vermelho e recrimina se o vê fazer a alguém, ainda que a rua seja uma daquelas esconsas em que passa um carro de hora a hora (eu por regra não o faço mesmo que não os leve comigo, até porque há outras crianças na rua atentas ao que fazem os adultos, mas ainda que quisesse fazê-lo não podia).

O pequeno moralista cá de casa tem um franco respeito à autoridade: ainda há pouco eu seguia atrás de um carro da polícia e ele apressou-se a dizer: "cuidado mãe, faz tudo certo que esse é polícia!"

O inspector cá de casa ralha com o pai porque ele fuma, manda-o afastar-se dele, diz-lhe que assim vai morrer e deita-lhe os cigarros para o lixo.

O politicamente correcto cá de casa dá lições de moral. Há uma menina na escola que lhe chama um nome de que ele não gosta. Os outros meninos também chamam a essa menina um nome de que ela não gosta. Quando lhe perguntei se ele também o fazia, respondeu-me: "não, porque é que eu ia chamar, se ela fica triste?" (ainda que ela lhe chame também algo de que ele não gosta).

O pequeno moralista cá de casa também faz birras, grita com os pais e a irmã e diz coisas menos agradáveis. Mas isso é quando não está de serviço...

Sexta-feira, Abril 20, 2007

Museu de Xangai


Foto: Noite

O Museu de Xangai é um espaço muito agradável e bem cuidado (ao contrário do que tenho ouvido sobre os Museus de Pequim, por exemplo). O espaço é amplo, as peças estão bem dispostas e cuidadas, a iluminação acompanha a presença ou não de visitantes junto às vitrinas, há ao longo do museu placas informativas sobre as épocas, as dinastias e cada um dos artigos.

Dizem que a grande maioria das relíquias da história da China foram levadas para Taiwan pelos nacionalistas, que em 1949 ocuparam a ilha fugindo ao regime comunista e em sequência da guerra civil, aí repousando no Museu de Taipé. Mas o que é facto é que uma civilização tão antiga tem espólio quanto baste para mostrar a sua história várias vezes.

No Museu de Xangai repousam cerca de 120000 peças, alguma com cerca de 6000 anos, que nos dão a conhecer a arte do bronze, da cerâmica, da pintura, da escultura, da caligrafia e do jade.

Fotos: Noite

É impressionante olhar para peças de bronze com cerca de 6000 anos e aperceber-nos do vasto conhecimento técnico de que os chineses já dispunham e que ainda hoje se investiga. 4000 anos a.C já faziam moldes em cera para modelar o bronze, aquecendo-o e arrefecendo-o a temperaturas exactas para obter os efeitos desejados.

Podemos ainda apreciar e conhecer um pouco sobre a moeda, os carimbos, a arte das minorias étnicas e o mobiliário.

Fotos: Noite

Aconselho a visita virtual ao Museu de Xangai, o site está muito bem concebido.

Quarta-feira, Abril 18, 2007

Novo Código Interno de Integridade da Direcção dos Serviços de Economia

Foi emanado no dia 23 de Março de 2007 pela Direcção dos Serviços de Economia, com força obrigatória interna para os funcionários,"tendo em conta a realidade deste Serviço” e “para reforçar em geral a integridade do pessoal”.

Nele se prevê nomeadamente:
1. Ser um cidadão cumpridor da lei.
2. Evitar praticar jogos de fortuna e azar em que o resultado é contingente por depender exclusiva ou principalmente da sorte do jogador, excepto lotaria, tômbola e sorteio.
3. Evitar praticar aposta mútua, tais como: corrida de cavalos, corrida de galgos, corrida de automóveis e jogo de futebol.
4. Tratar, com cuidado, dos problemas financeiros pessoais para prevenir situação de sobreendividamento.
5. Formar bons hábitos de vida, não usar drogas, e estupefacientes, não dissipar dinheiro, beber com moderação, não solicitar prostitutas e não fazer tanta vida nocturna.



Este Código virá na sequência das "Orientações para uma Conduta Íntegra dos Trabalhadores da Administração Pública”, do Comissariado Contra A Corrupção. Os funcionários queixaram-se e o Deputado à Assembleia Legislativa, Pereira Coutinho, interpelou o Chefe do Executivo sobre a questão.

Pereira Coutinho questiona sobre as informações de que a DSE dispõe sobre "a realidade" do comportamento leviano dos seus funcionários, afirmando que "está a pôr em causa o bom nome, a honra e dignidade dos seus trabalhadores", transmitindo "uma imagem distorcida para o domínio público, incluindo para seus familiares e amigos, de que na DSE existem graves problemas com os seus trabalhadores, tais como os viciados no jogo, trabalhadores seriamente endividados, e o mais grave haverem trabalhadores dependentes de drogas e estupefacientes, trabalhadores bêbados, e inclusivamente muitos trabalhadores e colegas que frequentam assiduamente a vida nocturna e solicitam prostitutas".
Aguardam-se desenvolvimentos (se é que os haverá).

Em qualquer estado de direito seria uma intromissão inadmissível na esfera da vida privada dos funcionários. Numa terra em que a grande maioria das fatias do Orçamento bebe das receitas dos casinos, ou seja, das apostas, em que a prostitução sempre foi uma actividade bem visível e tolerada (embora as autoridades afirmem existir apenas uma prostituta [sim, uma]), numa terra que nunca dorme, é ainda no mínimo curioso este súbito rasgo de moralidade.

Só me ocorre afirmar: era o que faltava já não se poder ir às putas depois das 17:45!

Sexta-feira, Abril 13, 2007

Edifícios do Bund


Foto: Noite

É bela a arquitectura que se ergue do Bund, capaz de nos transportar para uma qualquer cidade europeia.

Pudong vista do Bund, avenida marginal de Xangai


Foto: Noite

O Bund é zona da avenida marginal de Xangai, que tem um passeio muito largo e comprido, muito agradável de se fazer e onde podemos apreciar a beleza dos edifícios contíguos e a vista de Pudong, na outra margem do rio.

Terça-feira, Abril 10, 2007

Xangai



Xangai
Foto: Noite

Xangai é uma cidade altamente cosmopolita e cheia de contrastes.

Milhões de pessoas calcorreiam diariamente as ruas. São locais e muitos, muitos turistas (asiáticos e ocidentais), há gente que anda às compras e mendigos que andam às papeleiras. Apesar da quantidade absolutamente astronómica de gente nas ruas, as pessoas não se ouvem. Falam baixo e o Mandarim é uma língua suave. Não se ouve o burburinho constante e incómodo das ruas de Macau.

A construção antiga, de traça chinesa ou europeia e histórica olha os edifícios sumptuosos e espelhados, dando-lhe uma beleza particular.
Há muitos hotéis, luxuosos mas acessíveis, como é costume dos hotéis asiáticos em geral. Ficámos bem instalados e não pagámos muito, embora estivéssemos algo longe da zona mais central

As lojas das grandes marcas que encontramos a cada esquina contrastam com os assédios constantes que nos acompanham nos percursos, até à exaustão: “watch-i, lolex-i, bag-i, gucci, plada, chip-i, chip-i” de tal forma que há quem, antes de ser abordado, responda irritado: “no watch, no bag, no nothing!!!” (ao fim de 2 dias já não se aguenta!).
As compras têm que ser bem regateadas, trazem-se bem as coisas por menos de metade do que nos pedem à partida. A comprar malas, atirar que somos de Macau e que por cá temos o mesmo e mais barato é a arma fatal para descerem os preços dos 500 para os 150 remimbis.

Há imenso trânsito, não se conduz de todo mal, apesar de os condutores de bicicletas acharem que não devem obediência às regras de trânsito, de não se saber para que servem as passadeiras e de buzinar ser uma tradição.

Há metro, que a mim me fez uma certa confusão, pois não consegui identificar os nomes das estações com as que tinha no mapa e por vezes ainda tínhamos que andar um bocado, o que se resolveu bem a andar de táxi, o que, como éramos 5, ficava praticamente ao mesmo preço. Assim não recusassem transportar-nos, pois os táxis levam no máximo 4 passageiros, mas isso só aconteceu uma ou duas vezes.

Comer não é fácil: não há muitos restaurantes e a comida xangainense não faz as minhas preferências (nem as dos miúdos), mas a coisa foi-se resolvendo. Hoje em dia com o fast food esta questão já não é um problema.

O que visitei:o Bund, o Peace Hotel, a Nanjing Road, o museu de Xangai, a concessão francesa, os mercados de antiguidades, flores, pássaros e grilos, um templo chinês e em Pudong subi à Torre Jinmao.

Nos próximos dias seguem-se as fotos.

Sexta-feira, Abril 06, 2007

Boa Páscoa!

Eu vou até Xangai, já volto... ;)

Quarta-feira, Abril 04, 2007

O 1 de Abril nos OCS

O 1 de Abril já lá vai, mas não queria deixar de tocar no assunto, até por que para o ano toda esta parvoíce voltará a repetir-se.
Eu não acho piada ao dia das mentiras. Já achei, quando era mais nova e pregava umas petas inofensivas, que ainda assim me apressava a desmentir. Depois cresci e deixei isso para a geração seguinte. Perdeu a piada.
Acho escandaloso que os órgãos de comunicaçao social embarquem na brincadeira parva de chamar as mentiras a uma actividade que se quer pautada pela seriedade, todos os dias no ano. Até porque há quem veja as notícias de raspão e não todos os dias, ficando assim erradamente convencido que aquilo que leu (ou viu, ou ouviu) é verdade. E há petas e petas: já se algumas são descaradamente mentira, outras convencem até o mais atento, sendo que também as consequências poderão ser diferentes; se umas serão totalmente inóquas, outras poderão trazer alguns amargos de boca.
Em Macau sempre houve esta maldita tradição entre os OCS, da busca pela peta mais original. Se há uns anos a TDM dava como fugido o urso do Jardim da Flora, não mais arrancando ao telespectador do que uma valente gargalhada, hoje faz o adepto da bola ficar acordado até às quinhentas à espera de um jogo que não vai transmitir.
A brincadeira este ano teve consequências insólitas. A Rádio Macau avançou com a notícia de que o Governo estaria a estudar algumas medidas para evitar a fuga dos funcionários públicos para a privada, nomeadamente aumentos salariais, uma vez que há neste momento ofertas de emprego mais apetecíveis por parte dos operadores de casinos. Credível q.b., não? Tão ou tão pouco credível, que o próprio jornal Ponto Final assumiu a informação como verdadeira, fazendo dela manchete no dia seguinte (o Ponto Final é um jornal diário, mas não sai aos Domingos). O Ponto Final cuspiu para o ar e caiu-lhe em cima: a sua manchete dia 2 de Abril era a mentira de 1 de Abril da Rádio Macau.
Julgo que se deveria ter aprendido alguma coisa com tudo isto, posto que foi a nú o perigo de os OCS embarcarem numa brincadeira totalmente incompatível com os seus fins. Ninguém levaria a mal o Ponto Final por ter assumido o erro, por pautar pela seriedade que dele é esperada. O que talvez levasse a uma reflexão conjunta por parte dos OCS sobre este estranho hábito. Mas não. No dia seguinte veio a justificaçao, da forma menos airosa possível: uma vez que o jornal não saiu dia 1 de Abril, resolveram brincar às mentiras no dia 2, prolongando a peta da Rádio Macau!
Brilhante, não?

Sexta-feira, Março 30, 2007

A rota das borboletas

Autoridades Taiwanesas encerram autoestrada por ser percurso de migração de borboletas.

"Human beings need to coexist with the other species, even if they are tiny butterflies"
Lee Thay-ming
Taiwan National Freeway Bureau

Quinta-feira, Março 29, 2007

Desapparição de hum marido

"Mrs. Laura Hunt, de Braadalbani, no Estado de Nova Yorck, notifica ao público, por meio deste periódico - "Amsterdam intelligencer" que seu marido Josias Hunt abandonou a casa e leito conjugal, e partiu para paízes que ella ignora - a interessada prohibe a todas as donzelas, solteiras de maior idade, e viuvas de qualquer classe e condição, que se liguem com elle por contracto matrimonial ou de outro modo, debaixo das penas impostas pela lei, e supplica encarecidamente aos editores de papéis públicos que insirão nelles esta notícia para conhecimento de seus leitores."
O Macaista Imparcial, Janeiro de 1838

Perante o apelo aflito desta senhora, os editores do Macaísta Imparcial viram-se na obrigação de publicar o anúncio, não sem porém manifestarem publicamente o seu desejo de que a moda não pegasse. E não pegou, felizmente...

(in A Publicidade em Macau (1822-1965), Luís Cunha)

Quarta-feira, Março 28, 2007

Monumento à amizade luso-chinesa I


Ela chinesa, ele português. Ela segura na mão uma flor de lótus, que se nota ter recebido das mãos dele. A harmonia entre dois povos tão distintos, numa cidade que é de ambos.
A amizade luso-chinesa.

(Um dos monumentos à amizade luso-chinesa, inaugurados à medida de um por ano, até 1999).

Terça-feira, Março 27, 2007

Guardanapos a metro

Aqui por esta zona do globo não há muito a cultura do guardanapo. Nos restaurantes é muito raro o guardanapo ser um dos elementos que compoem uma mesa posta. É previdente andar sempre com um maço de lenços de papel na carteira quando contamos comer fora, ou saber dizer "tchi can", para fazer aparecer à mesa um pacote deles. Isto é quando é preciso, quando em cima da mesa não está já o belo utensílio que proporciona guardanapos a metro... o rolo de papel higiénico! Este sim, é uma peça de verdadeiro valor estético em cima de uma mesa que se preze. Normalmente colocado dentro de um suporte plástico próprio, é-lhe retirado o cartão do meio e é a partir daí que começa a usar-se, do meio para fora. Vai-se puxando e cortando ao gosto e necessidade dos utilizadores. Haverá melhor?

Segunda-feira, Março 26, 2007

Eu cresço, lembras-te?

- Sabes, a minha prima vai ter um menino... vai ser giro, assim já podes brincar com ele!
- Oh, quando ele tiver 5 anos eu já vou ser um adolescente!

Reflexões sobre a Lei Penal

Uma gaja com TPM devia ser inimputável!

Terça-feira, Março 20, 2007

Dá para perceber, é o que é preciso!


Foto: Noite

Ar forçado

Quando cheguei a Macau muitos automóveis andavam de porta-bagagens aberto, ainda que não transportassem carga a mais. Parece estranho, mas tem uma explicação. Na altura, os porta bagagens não eram como são hoje, comunicavam com o habitáculo. O parque automóvel era bastante degradado (nada como é hoje), muitos automóveis não tinham ainda ar-condicionado, o que faz muita falta numa terra em que em grande parte do ano reina o calor, a humidade e o tempo "abafado". Os condutores arejavam assim os automóveis: apesar de por aqui haver pouco vento (e quando há não é fresco), sempre era uma aragem...

Segunda-feira, Março 19, 2007

Avó

Embala-me o coração da mágoa que sinto por quantos anos me roubei de ti e te roubei de mim.
Embala-me o coração da saudade que me assalta e se faz maior sempre que penso em ti.
Embala-me o coração das lágrimas que chovem no silêncio da minha dor, porque sei que é para sempre.

Domingo, Março 11, 2007

E tal como veio

foi-se.

(sim, já!)

Adenda: quer dizer, já não sei. Ontem esteve calor, hoje está frio outra vez (mas não tanto como segunda e terça-feira, chuvisca e o céu está cinzento e feio).

Quarta-feira, Março 07, 2007

Chegou o frio!

E como sempre, caiu do céu aos trambolhões...

Pois se eu sou assim em sonhos...

Eu e a X. junto a um Hospital, a tentar apanhar um táxi. Eu com uma das miúdas dela ao colo (que às tantas já não é a M. dela, mas outra M., mas não interessa). Está muito difícil, há muita gente e poucos táxis. Procuro desesperadamente uma luzinha vermelha no cimo de um carro, indicando um táxi livre (pelo menos em sonhos, que acho que na realidade deveria ser verde; vermelho é sinal de ocupado, certo? Mas também não interessa). E de repente vejo uma, até me parece impossível. Apresso-me a chamar - "táxi, táxi" - ao mesmo tempo que aceno. À medida em que a luz vermelha se vai aproximando, apercebo-me de que não é um táxi mas sim uma pessoa com uma mancha vermelha e reluzente na testa (mercúrio? eosina?). Pergunta a X.:
- Então, não tinhas chamado um táxi?
- Sim, mas não era um táxi, era uma gaja com uma coisa vermelha na cabeça... parecia-me...
- Tu és um bocado troll, não és?

Acordei a rir à gargalhada, não conseguia parar. É que não é nada impossível de sair dos sonhos e acontecer...

Domingo, Março 04, 2007

Memórias

As memórias são lugares estranhos que tanto nos podem satisfazer como afligir. As imagens, os sons, os cheiros vivos que nos transportam pelos caminhos do passado, sem aviso nem pedido de licença, para invadirem esses lugares adormecidos por um coração que prefere deixá-las onde estão a transportá-las consigo por outros caminhos, outras memórias. Um coração pesado de memórias vive do passado, não deixa entrar o presente. Então adormece-as, esconde-as lá no fundo. É mais fácil, assim é mais fácil. Até que algo as faz despertar do seu coma semi-profundo e nos transporta para lá. E se são vivas, como são vivas.
Ao fim de tanto tempo, fui invadida por aquele cheiro, o cheiro dela. Estava ali, nítido, presente, como se fosse ela, ela que já cá não está. Embriaguei-me do cheiro dela, sem saber se o mandar embora ou deixá-lo ficar. Mas o coração, o coração não gosta de viver pesado, o meu não gosta, sofre atado, grita de dor. Então abri a janela para que uma brisa o levasse. Até um dia...

Quarta-feira, Fevereiro 28, 2007

Piores notícias

As obras são agora no apartamento mesmo debaixo do meu!
O barulho é ensurdecedor, o chão treme que se farta e não sei quanto tempo irão durar.

(tirem-me daqui!!!)

Más notícias

Terminaram as férias dos operários da construção civil.

Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007

Invasão

O Ano Novo Lunar é tempo de reunir as famílias. É também tempo de procurar a sorte e para tal nada melhor que os 25 casinos da "nossa pequena Las Vegas". Por um motivo ou outro, nestes últimos dias esta terra de 21 Km quadrados onde residem pouco mais de 500.000 habitantes foi literalmente tomada por visitantes. Entraram 540.443 visitantes nos primeiros 5 dias deste Ano Novo Lunar; tantos como habitantes, portanto. Andam sobretudo pelas zonas mais emblemáticas da cidade, fazem muitas compras, tiram fotografias, percorrem as ruas em grupos e povoam os casinos.

Este amontoado de gente dá direito a alguns episódios insólitos, como um que se passou comigo ontem. Fui até à baixa da cidade ver se aproveitava os saldos já comuns desta época para comprar umas sapatilhas. A sapataria onde fui estava cheia de gente, mas entrei, arranjei um canto onde me sentar e experimentei uns ténis. Levantei-me de onde estava e afastei-me meio metro para conseguir ver o efeito ao espelho, sempre de mala não mão, não fosse o diabo tecê-las... Eis senão quando, ao olhar para as parceiras do lado, percebo que uma delas está a tentar enfiar o pé no meu sapato!!

Aqui ficam algumas imagens do "tráfego" pedonal dos últimos dias.



Fotos: Noite

Imagens porcas




Fotos: Noite


(Querem ver o meu contador de visitas a aumentar exponencialmente? Eheheheh!)

Carinho tricotado

Quando a noite cai e os meninos se deixam levar pelo seu sono puro, há uma Mãe-Galinha que embala as suas pintaínhas ao som das agulhas de tricôt. Sim, que esta Mãe apesar de Galinha, no lugar de asas tem mãos; e mãos de fada, devo dizer. A Mãe Rita tem também um coração, um coração muito grande por onde passam todas as linhas de todas as peças que as suas preciosas mãos tecem.

Da loja da Rita até mim voou uma linda bolsa azul de lã. É mais que uma bolsa, é um pedaço de carinho ambulante que transporto comigo. Eu sei, sinto que nela está um bocadinho do coração grande da Rita. E além de tudo o mais é muito, muito gira! Roam-se de inveja! :PPP



Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

E para ver se o óleo da frigideira já está quente...

Nada como mergulhar lá os dedos.

Não é assim, pois não? Pois... bem me pareceu!
(bendito Fenistil e a minha ideia de o trazer às carradas no Verão!)

Quarta-feira, Fevereiro 21, 2007

A penhora do Carnaval

Os pequenos da Escola Portuguesa de Macau este ano não comemoram o Carnaval. Um dos feriados do Ano Novo Chinês colidiu com o dia de Carnaval e na semana anterior várias actividades ocuparam a atenção e as mãos de meninos e professores: o Dia dos Namorados, a festa do Mandarim e o Fashion show. Noutros anos é costume irem mascarados num dos dias de aulas, da parte da tarde. Há uma pequena festa e um desfile, dentro da escola. Este ano, a festa como que caíu no esquecimento, nem chegou a ser agendada. Os pais não foram avisados.

Eu não gosto do Carnaval, não gosto de ver os miúdos mascarados, principalmente aos magotes, faz-me uma certa confusão. Parece que me sinto rodeada de almas do outro mundo, não sei explicar. Mas os meus filhos (principalmente a minha filha) sempre gostaram muito de se fantasiar. Mesmo fora de época, em casa, constantemente corriam (ele ainda o faz) ao armário e trajavam os fatos dos Carnavais anteriores (os dela feitos pela minha Mãe). Habituei-me assim a ter sempre cá em casa um Capuchinho, uma bruxa, uma fada, um Super-Homem, um Homem-aranha... E eu até acho que é bom, estimula o imaginário.

Em Macau não há o costume do Carnaval, a maioria da população é budista e a restante nunca teve esse hábito, mas nos estabelecimentos de ensino portugueses sempre se comemorou. O que nunca foi fácil para os pais, pois como não é hábito local, não há fantasias à venda. Umas máscaras guardadas do Halloween, um saltinho a Hong Kong, uma mão para a costura, alguma capacidade de improviso e muita imaginação e sempre se ultrapassaram as dificuldades, sempre houve fantasias engraçadas.

Segunda e terça feira foram feriados do Ano Novo Lunar, também não achava bem que se fizesse a festa do Carnaval já na Quaresma, mas faz-me diferença que não seja comemorado na escola este ano, sim. O Carnaval é um costume do meu país. Os meus filhos são naturais de Macau, mas são portugueses, frequentam uma escola portuguesa num país estrangeiro exactamente para que não percam as raízes de uma cultura que é a sua e que é a que os pais querem que eles tenham e mantenham. Espero da escola que escolhi que sejam cumpridas as tradições, os costumes de Portugal, sem que deixem de se integrar na comunidade em que vivem e isso passa por comemorar as festividades portuguesas e as festividades locais. Fico muito sentida que a Escola Portuguesa de Macau tenha penhorado o Carnaval a troco de outros eventos, tanto mais que dois deles eram perfeitamente móveis. Estou triste e eu nem gosto do Carnaval...

Sábado, Fevereiro 17, 2007

KUNG HEI FAT CHOI


O tempo vai arrefecendo de mansinho e com ele traz os dias brancos e pegajosos. O frio, esse ainda não chegou, mas há-de chegar sem aviso num destes três dias. É bom que venha, se não, temos um mau ano.
Sobre a cidade caem o vermelho e o dourado, espalham-se as lanternas alusivas (este ano com porcos) e enfeitam-se as montras. Por todo o lado se oferecem e vendem envelopes vermelhos; nos bancos as filas para chegar às notas novas (há muito que as de 20 estão esgotadas). É hora de dobrar em três as notas e preparar os lai-si que se ofertarão nos próximos dias. É que a sorte vai e vem e o que se dá agora retornará mais tarde. Para casa compram-se hastes de pessegueiro, crisântemos e outras flores. É tempo de arrumar e limpar as casas, deitar fora o que é velho e escolher as melhores roupas. No mercado os assaltos são constantes às bolsas dos compradores que guardaram para hoje o que podiam ter comprado há uns dias (eu).
Nas ruas, gente... muita gente. Há que fazer as últimas compras para receber o novo ano a rigor. As famílias reunem-se para o jantar. Os casinos começam a encher-se de jogadores confiantes que tentam a sua sorte na esperança que se prolongue pelo resto do ano. Ao longe já se ouvem os panchões que espantam os maus espíritos, rebentados junto ao rio.

KUNG HEI FAT CHOI

GONG XI FA CAI

FELIZ ANO NOVO LUNAR


Adenda: mais sobre o Ano Novo Lunar no que escrevi em anos anteriores, aqui, aqui, aqui e aqui.

O meu bairro

Quando comecei a passear nesta cidade grande que é a blogoesfera dei com este bairro e decidi que era aqui que queria morar. Percebi logo que era um sítio arejado, agradável e de boa gente. Cerca de 3 anos depois concluo que nao me enganei. Todas as manhãs dou uma volta a pé pelo bairro e leio-os a todos. Ainda que não comente, sei o que se passa em cada casa.
Como bons vizinhos, vamo-nos aproximando mais e mais, estravasamos as paredes que nos separam e partilhamos um pouco de nós. Há gestos que me fazem sorrir e afirmar cada vez com mais certeza que o meu bairro é o melhor que há e que eu tenho os melhores vizinhos!

Obrigada ao Urso Polar, pela partilha e a confiança ;)

Bem-haja ao Jorge Morais, pelo livro "A poesia nos blogs" :)

Out-sónia

O que eu esperei por este dia (ou melhor, por esta noite)...

Contam os meus vizinhos que por volta das duas da manhã houve um acidente à minha porta. Um carro que seguia em excesso de velocidade por sorte não embateu no carro do meu marido, capotou e foi embater no de um vizinho nosso. Veio a polícia, os bombeiros, as câmaras da TV, tudo isto debaixo da janela do nosso quarto e pelos vistos não nos importunou o sono.
Há umas semanas teria acordado só com uma travagem mais brusca; esta noite não acordei com todo este aparato! O que significa que os dias de glória da sónia acabaram. Out, sónia, out!

Para a Vague


Foto daqui

(só pra ti! ;) )

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

Para as gajas:




(os gajos podem ficar com a flor, eheheheh)

Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

Há músicas imortais

And I never thought I'd feel this way
And as far as I'm concerned
I'm glad I got the chance to say
That I do believe I love you

And if I should ever go away
Well then close your eyes and try
To feel the way we do today
And then if you can remember

Keep smiling, keep shining
Knowing you can always count on me, for sure
That's what friends are for
For good times and bad times
I'll be on your side forever more
That's what friends are for

Well you came in loving me
And now there's so much more I see
And so by the way I thank you

Oh and then for the times when we're apart
Well then close your eyes and know
The words are coming from my heart
And then if you can remember

Keep smiling, keep shining
Knowing you can always count on me, for sure
That's what friends are for
And good times and bad times
I'll be on your side forever more
That's what friends are for...

"That's what friends are for"
Dionne Warwick & Friends

Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

O Amor já está à venda



Foto: Noite

Será que também entra em saldos?

Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007

Do momento

Sabem que nome consta no passaporte português de Kim Jong Il Jr.?
- Kim Barreiros.

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

Previsões para o Ano do Porco

Como habitualmente, aqui ficam as previsões para o Ano do Porco, que está quase a chegar (18, 19 e 20 de Fevereiro).

"A astrologia popular associa a este signo as ideias de paz e de sossego e também a importância da família."
(...)
"Aplicada à cena internacional, esta simbologia sugere um ano em que as nações se viram mais para si próprias e refreiam os seus intuitos expansionistas ou agressivos." (ouviste, Bush?)
(...)
"No entanto, quando elaboram os seus prognósticos, os astrólogos chineses baseiam-se mais na interacção dos cinco elementos do que na simbologia derivada do signo do ano. Para eles, o mais significativo é que vamos iniciar mais um ano em que os dois elementos dominantes estão em contradição. O ano de 2007 é representado, no calendário chinês, pelo carácter (“tronco celeste”) ding colocado sobre o carácter (“ramo terrestre”) hai, o que significa o Fogo sobre a Água. Ora, uma vez que “a Água conquista o Fogo”, os elementos do ano estão em conflito, o que, no mínimo prenuncia a tensão na relação entre os povos." (oh, diabo!)

Para saber as previsões para cada signo, aqui.


Ao que parece, vou ter um ano calmo, sem grandes influências positivas, mas também sem sobressaltos. Quer dizer... isto a avaliar pelo que li, mas tendo em conta que o texto começa por dizer que "Os nascidos sob o Búfalo são conhecidos pela sua capacidade de trabalhar com determinação e persistência, de forma incansável, até que seja alcançado o objectivo definido", não sei se acredite... (aquilo sou eu?!)

Boas e más notícias

Lembram-se das obras do meu vizinho de baixo? Terminaram esta semana, finalmente. Ainda perdi algumas manhãs de sono com o batuque do assentar dos azulejos, que só não chateou muito por ser sinal de estar perto do fim.
Mas tal como eu previa, já começaram a retirar "restos" de um dos apartamentos do r/c. Desconfio que vem aí mais um festival de picaretas e martelos pneumáticos cá no prédio. Se os Stomp descobrem estes novos sons, ainda vamos perceber que anda por aqui muito talento perdido...

Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

Rescaldo

Ao fim de muita letrinha lida e escrita, muita página folheada, muitos dias na biblioteca, muita nervoseira, muitas dores de barriga, muitas asneiras ditas, muitas dúvidas e algumas certezas, chegou ao fim mais uma época, a sétima (isto sem contar que vou sempre à segunda época, atiro sempre uma para lá, é ritual).
Afinal, correu bem. Se me vi Grega, cheguei lá e afinal não me desintegrei nadinha. Por vezes fico com essa sensação, badalo "ai, correu-me tão mal!" e fico com o coração nas mãos até sair a pauta. Eu sou um bocado exagerada, basta ter noção de que um caso prático não ficou resolvido como deve ser, para achar que me correu pessimamente. E depois tenho que os ouvir: "pronto, está bem, diz lá que te correu mal...". As coisas também me correm mal, pessoal, quando não correm como eu quero, ou como eu acho que deveriam ter corrido. Agora já adoptei a técnica do "mais ou menos".
- Então, como te correu?
- Mais ou menos.
Dá para o bem e para o mal!

Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

A era antes e após Skype

Dantes ligávamos à família pelo Natal e aniversários;
Agora ligo à minha Mãe a pedir a receita dos bolos de côco...

Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

Exames - actualizado

Chinês - vi-me Grega
Família - a minha bem, obrigada
Comercial - nada mal
Crime - não pratiquei
Integração - desintegração
Processo - executado
Reais - mas pouco

Sábado, Janeiro 13, 2007

Já nem os gigantes são o que eram...

"Um terramoto de magnitude 8,3 na escala aberta de Richter abalou hoje a ilha de Hokkaido, norte do Japão, sem notícia de vítimas ou danos, mas provocando uma onda gigante de um metro de altura, anunciaram as autoridades."

Agência Lusa

Olá...

Cof.. cof... está cheio de pó, isto. E deve estar cheio de ácaros, que já me começa a chegar a mostarda ao nariz...
Ainda anda alguém por aí? (pobres leitores, tão maltratados, sem votos de bom Natal ou Ano Novo e nem uma explicação...)
Estou em exames, como já é costume durante época. Este ano é dose! Mas agora apeteceu-me vir aqui e pronto. Tenho umas bocas para mandar... ;)

Fiquem por aí, que eu já vou limpar o pó a isto e sacudir as almofadas dos sofás.

Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

Aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh!

Começa a estar melhor...

Quinta-feira, Dezembro 21, 2006

A idade de Cristo

Bem sei que estamos no Natal e que este é comemorativo do nascimento de Cristo (o que se contesta, mas para aqui não importa), mas não é disso que vou falar (eu tenho muita tendência para falar exactamente do contrário do que está na ordem do dia).
Cristo morreu aos 33 anos. 33. Não se sabe o que teria sido de si se tivesse vivido mais além, nem interessa imaginar, mas consta que viveu bem de saúde até então. Eu fiz 33 este ano e muita coisa mudou, o que conjugando com os 33 à data da morte de Cristo me leva a questionar se não será esta idade uma marca para o ser humano, assim como um prazo de validade a partir do qual o corpo começa a precisar de recauchutagem...

Quarta-feira, Dezembro 20, 2006

Querido Pai Natal:

Este Natal peço que me deixes um estômago novo. Pode até ser em segunda mão, desde que esteja em bom estado. Acho que não é pedir muito, um órgãozito. Há muito por aí onde os órgãos são ao desbarato...
Se possível traz-mo antes da consoada, que é para me poder encharcar em fritos, afinal é o melhor do Natal.

Quarta-feira, Dezembro 13, 2006

Hoje o céu está mais azul, eu sinto! :)




(Rosa, Rodrigo Leão)

Sexta-feira, Dezembro 08, 2006

Apenas menos um?

Já paravas com a brincadeira, não, Zé Eufigénio?

Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

O bicho novo


É este!

É, como lhe chamam, ultra-portátil como eu queria: é pequeno, leve, traz duas baterias, tem leitor-gravador de dvd-rom, a máquina é mais que suficiente para o que faço... e é giro!
Obrigada, Pai Natal! ;)

Na China profunda

A foto abaixo foi tirada na China profunda, a 200 Kms. de Macau e a 20 de Cantão. Fui de carro, o condutor era muito bom, em momento nenhum senti falta de segurança. Mas vi tanta atrocidade no trânsito à minha frente, valhamedeus! Diz-se que os chineses são "man-man" (devagarinho), mas a verdade é que a dinâmica do dia-a-dia é tão intensa que cansa só de ver. Tantos, tantos momentos escaparam ao tiro da minha máquina fotográfica... é uma pena, mas tudo se cruza tão rapidamente à nossa frente, que não é possível captar a imagem a tempo: quando carregava no botão, já lá ia! A maior parte do tempo andei de carro, o que também não ajudou... Vi quatro fulanos a andarem na mesma mota, famílias inteiras na mesma mota, boa parte deles sem capacete (recém nascidos às costas, inclusivé), fulanos a pé a puxarem cargas maiores que a da foto abaixo, dois polícias montados na mesma mota (um deles sem capacete), a confusão nas passadeiras, nos cruzamentos e outras coisas que escapam às imagens como a quantidade quase insuportável de gritos e businões...
A China é de facto muito diferente, tem muita piada fazer este tipo de incursões, mas sabe muito bem voltar logo para casa. Macau é Macau e muito embora eu muitas vezes também me queixe da confusão, aqui sinto-me em casa!

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

Vou ali levar umas coisitas...


Foto por: Noite na China profunda

Sexta-feira, Dezembro 01, 2006

Finou-se!

O computador tem arranjo, mas das duas uma: ou é o teclado ou é a motherboard. Se é que ainda existem teclados disponíveis para o modelo, qualquer das substituições vai ficar cara e é um investimento que não se justifica dada a idade do bicho.
O mais importante consegui que me fizessem, que foi remover o disco com o meu trabalho das últimas duas semanas, o tempo que não tinha de backups (sem comentários). Foi colocado numa caixinha que funciona como disco externo e está lá tudo.
Tenho muita pena, o Sharpzito foi um bom companheiro nestes últimos anos. Era o meu ideal de portátil: levezinho, fininho e com tudo o que precisava dele. Mas até os computadores se reformam...
Agora procuro substituição, mas o mercado é tão vasto, que não sei o que escolher. Quer dizer... se fosse só escolher, escolhia sem dúdidas, este Sony Vaio... É tão lindo! ;)

Quinta-feira, Novembro 30, 2006

Em agonia...

o meu computador portátil e eu... ele não arranca, eu estou como que desligada, incrédula!
Lá dentro estão todos os meus apontamentos das aulas e resumos das matérias, para estudo. Como convém e muito frequentemente acontece nestas situações, os backups não estão actualizados.
Não é o fim do mundo, mas parece estar lá por perto...

Quarta-feira, Novembro 29, 2006

It's a Sony!

Após ter-nos maravilhado com uma chuva de 250.000 bolas saltitonas sobre S. Francisco, num dos anúncios mais bonitos de que tenho memória, a Sony brinda-nos agora com 70.000 litros de tinta, num fogo de artifício colorido em Glasgow, na Escócia.




Não percam. Melhor mesmo só vistos num Bravia...

Terça-feira, Novembro 28, 2006

Ensandece-me

o barulho das obras dos vizinhos. Não são umas obrazitas quaisquer, como uma pintadela de paredes, uma substituição do chão, uma renovação da cozinha que já reclamava um ar mais moderno, ou da casa-de-banho que agora as há tão bonitas. Por aqui a modernidade, beleza e qualidade dos materiais de construção ainda deixa algo a desejar... O que é importante nestes casos é mudar, mudar tudo! Um chinês quando entra numa casa de novo e antes de a habitar faz obras a sério: nada fica inteiro, destrói-se tudo o que havia dantes:* chão, paredes, ombreiras das portas, colunas ou pilares (espero que tenham a noção de "trave-mestra"), cozinha e wc's.
Há dias e dias a fio este prédio tem como música de fundo uma sinfonia de berbequins e martelos pneumáticos proveniente do 1º andar. Desde que viémos de férias em Setembro que praticamente não nos tem faltado a música. Eu moro num prédio pequeno, mas parece-me que os vizinhos encetam esforços para se coordenarem neste aspecto. Anteriormente tinha sido o do outro 1º andar, a seguir um dos r/c e quer-me parecer, pela troca de inquilinos, que se seguirá o outro r/c ou o 2º andar ao lado do meu (não sei se fuja, se fuja).
Não adianta tentar ouvir música ou pôr alguma coisa nas orelhas, porque é o próprio prédio que trepida todo, não só se ouve como se sente. Isto para uma gaja que precisa de estudar mais do que estuda e que tem os exames quase à porta, não é nada bom. Acho que tenho que re-começar a emigrar para a biblioteca...

* Sandra, se calhar podes ajudar-me a explicar o porquê...

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Crescer sem dor...

Eu - Olha-me aquele, diz que não acredita no Pai Natal!
G - Eu também não!
Eu (espanto) - O quê, não acreditas?!
G - Não, Mãe, o Pai Natal não existe, é o nosso Pai!!
Eu - Tens a certeza? Então e quem come e bebe sempre o leitinho e as bolachas que deixamos junto à janela?
G - É o Pai!
Eu (choque) - Quem te disse isso??
G - foi o Pai!
Eu (desolação) - E tu não ficaste triste?
G - Não, fiquei só espantado!

Quem ficou mais chocada fui eu. Eu sei que ele já tem 8 anos e que provavelmente já era hora de lhe desatar as asas e deixá-lo voar... até porque ele é muito ingénuo e dificilmente iria descobrir por si. Mas nestas coisas nunca sei quando é a altura certa, se devemos ser nós a revelá-lo ou se devem ser eles a descobrir por si.
Acho que o meu problema é que... eu também gostava tanto de ainda acreditar no Pai Natal...

Domingo, Novembro 19, 2006

Se não os podes vencer...

Fui ver a F3.

(Fiquei nas bancadas do reservatório, na recta da meta. É pena nunca arranjar bilhetes para a curva do Hotel Lisboa, onde há mais despistes, afinal é a parte interessante da coisa...) ;)

Sábado, Novembro 18, 2006

Acertei no Euromilhões, trá-lá-lá-lá-lá!

Ei, calma! Foram só €9,15, não dá para andar por aí a distribuir...

Sexta-feira, Novembro 17, 2006

Vrrruuuuuuuummmm

Diz-se por aí que já se ouvem roncar os motores junto ao circuito da Guia. Suponho que sim, já chegou a data marcada. Felizmente o ruído ensurdecedor e o cheiro a borracha queimada não chegam a esta parte da cidade.

Durante vários anos, nos dias das corridas acordei com as sirenes na abertura do circuito, gramei com o barulho e o cheiro todo o dia, ou fugi de casa de manhã à noite. Agora só sei que por aí andam, porque se diz por aí (e pela quantidade de "bifes" que se passeiam pela cidade). Vou senti-lo quando for buscar os meus filhos à escola à tarde, ali ouve-se alguma coisa e o trânsito deve estar um pandemónio do caraças.

Não sou contra o Grande Prémio de Macau, mas foi coisa que me incomodou durante anos a fio. Um circuito citadino altera sempre muito a vida de quem lá mora e que não obstante a confusão no trânsito e nos transportes, tem que entrar a horas na mesma! Para além disso, irritam-me os imbecis que mal começam a ver a colocação dos rails de protecção no circuito, vestem uma alma manhosa de pilotos de andar por casa, metem-se nos seus chassos barulhentos e andam por aí a toda a hora a pôr em risco a vida dos outros. A polícia nunca vê nada.

Este ano corre-se o 53º. Que corra bem! Que corram muito bem!

Força Rodolfo! Força André!

Sobre o post anterior...

Eu gosto muito de cá andar, mas não amo a vida 24 horas por dias, 365 dias por ano; às vezes também me zango com ela. Quem não se zanga?

Mas já passou... ;)

Quinta-feira, Novembro 16, 2006

Só me apetece dizer:

A vida é um sítio merdoso para onde nos mandam de castigo.

Pronto, já disse! Se daqui a uns anos esta frase se tornar ditado popular, já sabem de onde veio. Agora vou dormir, que não há nada que uma boa noite de sono não cure! (ou haverá?)

Terça-feira, Novembro 14, 2006

Eu também tento...

"I try to teach my daughters a lot of things, but they still seem to do what they want, especially when I'm not there to watch them"

Jack Malone in
Without a Trace
2:15 (Wannabe)

Domingo, Novembro 12, 2006

Crescer...

À hora do almoço de domingo, no telejornal da RTP transmitido em diferido, a imagem mais cómica dos últimos tempos: Marques Mendes fala aos sociais-democratas, no palanque de onde discursa, abaixo dos microfones, a frase "Pensar em grande" e atrás de si a inscrição "crescer 3%".
"Crescer 3%" ao ano não é nada mau! A crescer assim, daqui a uns anos Marques Mendes já poderá "pensar em grande"! :)))

Sexta-feira, Novembro 10, 2006

De uma aula de direito comercial:

"Não é responsável o produtor de produto defeituoso proveniente do solo, da pecuária, da pesca e da caça, quando não tenham sofrido qualquer tipo de transformação. E porquê? Porque como todos sabemos estes produtos são obras de Deus e Deus é totalmente irresponsável, é isento de culpa."

(é demais este homem, é demais!)

Quinta-feira, Novembro 09, 2006

Em casa de coxos...

(Não era assim o ditado, pois não? Também não interessa nada, o que interessava era arranjar um título e esse já lá está!)

Tenho dois filhos coxinhos: ele torceu o pé a jogar à bola com o pai no domingo. Ao radiologista ainda pareceu haver uma fractura, mas felizmente é só um pé torcido. Saiu do hospital com o pé ligado com a indicação de ficar imobilizado 2 dias. Está bem está, desde apoiar o pé no chão, sentar-se com ele debaixo do rabo e outras que tais, no dia seguinte já a ligadura tinha praticamente saido e o pé muito inchado reclamava outro tratamento, mais fixo. O pé foi-lhe engessado e apesar do teatro que fez para não ir à escola (muito coxinho a dizer que lhe doia), agora corre pela casa, mesmo com gesso.

Ela até parece que não quis ficar atrás e no dia seguinte torceu o pé na ginástica. Lá foi ao hospital, de onde veio com o pé ligado e indicação de ficar 15 dias sem fazer exercício físico (oh, não!) É claro que a ligadura dava para torcer logo após o primeiro banho, ou não fossem os banhos dela de meia-hora (não há ligadura que resista, mesmo com o pé enfiado num saco de plástico). Anda com um pé elástico, que eu já sei do que a casa gasta.

Os pés dos mais crescidos estão bem, obrigada! :)

Há dias em que me apetecia ser gajo

Quando durante 5 dias seguidos tenho dores de cabeça, desde que acordo até que adormeço - coisas de gaja.

(Depois olho à minha volta, para os gajos em geral e congratulo-me por ser gaja... ainda que isso dê dores de cabeça!)

Domingo, Novembro 05, 2006

O funeral

"E a pá do coveiro não magoa ninguém no seu alarido de metal. E os solavancos do caixão só doem aos vivos. Aos que olham a terra e não o céu. Deixando escapar o abraço ampliforme do vento e o anúncio da última corrida nas salvas de tiros. Prolongamos a dor dos que partem, recusamos-lhes um sorriso de cumplicidade, e a cor branca nos trajes anunciando a paz. Depois cai a chuva. Molha os corpos. Os vivos e os mortos. Abrem-se os chapéus e fecham-se os caixões. E a pá do coveiro não magoa ninguém no seu alarido de metal apressado. Pela chuva. O coveiro molhado. E o defunto húmido estremece no seu leito pesado. Descansa. Descansa em paz. Recusamos essa paz e um sorriso cúmplice. Basta olhar o céu na direcção das bátegas. E abrir os dentes. E sorrir. Sentir o abraço ampliforme do vento como se ouvem as salvas de tiros. A última corrida. A da morte. Vai. Descansa em paz. Depois fugir dali como quem foge da morte. E à morte não se foge nem interessa fugir. Ela que anda desgostosa por lhe recusarmos um sorriso, um sorriso cúmplice, a ela e aos que ela de bom grado acolhe na sua paz. A paz da última corrida quando já não há mais a correr. E nós com as lágrimas, o egoísmo e a saudade. Sem sentirmos o abraço ampliforme do vento. Como sentimos as salvas dos tiros e o alarido de metal da pá do coveiro já tão molhado. Pela chuva. E o caixão húmido a par com a terra para ali fica. O coveiro solitário. Indiferente. Como se sentisse o abraço dos mortos na curva do vento. Sem sorrir nem nada. E os sapatos a deixarem pegadas fugitivas. Ao portão e à morte. Como se interessasse fugir à morte. À morte não se foge. Nem ao abraço ampliforme do vento e dos mortos, nem à cumplicidade de um sorriso que esbarra na foice da ceifeira desgostosa. E nós com as lágrimas, o egoísmo e a saudade. Descansa em paz. Descansa em paz. E nós recusando o branco e o sorriso na direcção das bátegas. O alarido de metal. E os passos fugitivos magoados, egoístas, ao portão, ao coveiro, à morte."

Texto de Bastet in Sol&tude


Este ano a morte levou-me uma avó e um avô. Há cerca de um mês que tento escrever sobre este assunto, mas mais não consigo senão juntar uma amálgama de frases que por vezes em segunda leitura, nem a mim me fazem sentido. Mas para quê procurar as palavras que não consigo encontrar e que encavalitaria desajeitadamente, se outras mais belas há e tão bem ordenadas por quem tão bem escreve? Este texto descreve bem o que sinto, mas nunca seria prosa minha, porque eu jamais conseguiria ter o extraordinário dom de palavra desta grande escritora.
Obrigada Bastet, por me deixares publicá-lo aqui. :*

Sexta-feira, Novembro 03, 2006

A desajeitada dança das cadeiras

Os meus vizinhos de cima passam a vida a arrastar cadeiras. Não percebo o que tanto haverá para arrastar e para onde naquela casa, mas também nem quero compreender, só gostaria que não me incomodassem. É de manhã, é à tarde, é à noite (por vezes bem noite dentro). É irritante, faz-me comichões nos neurónios, já não posso ouvir aquele ruído horrendo a toda a hora. Há dois anos tentava eu ter uma consoada na paz de tudo o que rodeia o espírito natalício e em vez de jantar ao som da bela música da quadra, que havia escolhido, antes gramei com os roncos das cadeiras da vizinhança. Já na altura achei uma enorme falta de civismo e de respeito pelo próximo, mas calei-me. Calei-me sempre. Nunca quis criar problemas com os vizinhos, já se sabe que pode gerar situações muito desagradáveis. Em Macau muito mais, porque a questão pode ser mal entendida, como "lá vêm os kuai lou com a mania que são diferentes". Se calhar sou diferente, mas tenho o direito à diferença. Não sou estrangeira, sou residente permanente. Sou tão desta terra como qualquer dos meus vizinhos.

Há uns tempos comecei a bater com o cabo da vassoura no tecto, cada vez que os grunhidos começavam (o meu filho já me chamou a atenção para a quantidade de furinhos no tecto). Não resultou. De há uns dias para cá a partir das 10 da noite, quando começa a dança de cadeiras, a solução é ir lá acima tocar à campainha e pedir para fazerem menos barulho (para além da dança das cadeiras, o vizinho mais pequeno joga à bola e faz gincanas pela casa, a desoras). Dão sempre a criança como desculpa. Santa paciência, se não sabem dar conta da criança, amarrem-na. Tem 6 anos, já tem idade para entender o que é incomodar o de baixo. Aguentámos demais. O assunto (e as cadeiras) já se arrastam há tempo a mais. Se não der resultado, logo pensamos no próximo passo a dar, mas espero que não seja necessário ir tão longe...

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

Mme. Tussaud

A ida ao Pico não se ficou só pelas vistas. Fizémos a subida sobretudo com o intuito de visitarmos o museu da cera Mme. Tussaud, instalado na Peak Tower.

Nascida em França em 1791, Mme. Tussaud viveu uns anos próxima de Philippe Curtis, médico e escultor em cera, de quem a mãe era empregada. Em 1770 o Dr. Curtis abre um Museu da Cera em Paris. Quando este morre, deixa a Mme. Tussaud a sua colecção de figuras de cera.
Mme. Toussaud leva a colecção para Londres e durante 33 anos dá-a a conhecer no Reino Unido. Muito mais há que contar sobre a história deste museu, disponível no site. Hoje em dia o museu Mme. Toussaud está em Hong Kong, Londres, Amsterdão, Nova Iorque, Las Vegas e Shanghai. O museu de Hong Kong abriu em 2000, com aproximadamente 100 figuras.

Neste momento e entre outros:
Várias celebridades asiáticas - Anita Mui, Teresa Teng, Jackie Chan, Andy Lau;
Do cinema - Brad Pitt, Edie Murphy, Gerard Depaidieu, Hugh Grant, Mel Gibson, Meryl Streep, Sylvester Stallone, Elizabeth Taylor, Benny Hill, Pierce Brosnan, Sir Anthony Hopkins, Jodie Foster, Harrisson Ford, Humphrey Bogart, Marilyn Monroe, Sir Alfred Hitchcock;
Da música - Cher, Pavarotti, Elvis Presley,Freddie Mercury, Bon Jovi, Kylie Minogue, Madonna, Michael Jackson, Mick Jagger, os Beatles,Tina Turner, Jimi Hendrix;
Da história - Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Adolf Hitler, Sir Winston Churchill, Saddam Hussein, Deng Xiaoping, Neil Armstrong, Einstein;
Das artes - William Shakespeare, Rembrandt, Picasso, Mozart, e a própria Mme. Tussaud (o seu auto-retrato foi o seu último trabalho em cera, feito em 1842, com 81 anos de idade).
Da política - Bill Clinton, George Bush, Mikhail Gorbachev, a Família Real britânica, Jiang Zemin, Li Ka Shing, Hu Jintao, John Howard;
Do desporto - David Beckam, Muhammad Ali, Tiger Woods.

É possível dar largas à imaginaçao sem limites, durante a visita. Podemos tocar nas figuras (é possível sentir o bater do coração de Anita Mui). Um pouco pelo espaço há acessórios para podermos dar mais cor à nossa passagem e fotografias, mascarando-nos (uma cabeleira loira e um vestido branco como Marilyn Monroe, um traje real para tirarmos uma foto sentados no trono entre a família real britânica, colocar uma veste e um chapéu como "Os Mosqueteiros", descer do avião ao lado de Hu Jintao, pegar num taco ao lado de Tiger Woods).

Gostei muito de visitar este museu, gostei sobretudo da liberdade de movimentos que nos é permitida. Foi uma tarde bem passada, muito divertida e com lugar a alguma "palhaçada" que ficou bem visível nas fotos que tirámos. Aconselho a visita!

Hong Kong Peak

Domigo, em vésperas de feriado, resolvemos dar um saltinho à vizinha Hong Kong. Objectivo: o Pico da ilha de Hong Kong. O Pico situa-se a 552 metros acima do nível do mar da montanha mais alta da ilha de Hong Kong. O percurso, de 1400 metros e com inclinações entre os 4 e os 27 graus, é feito através de um funicular. O "Peak Tram" funciona há mais de 100 anos e congratula-se por nunca ter tido um acidente!

No século passado, a casa de Verão do Governador situava-se no cimo da montanha, para que pudesse disfrutar do bom clima que lhe proporcionava a altitude. A sua presença atraiu outras pessoas, que ali fixaram residência.

Em 1880, a maioria das pessoas eram carregadas de e para o Pico em liteiras - uma cadeira de bambú carregada por dois homens fortes. Era o meio mais popular e também o mais confortável de fazer a subida. Surgiu uma variedade de liteiras, umas mais simples, outras mais elaboradas, que podiam ser alugadas quando era necessário. As pessoas mais abastadas detinham as suas próprias liteiras e carregadores. O resto da população usava as liteiras públicas, contratando os carregadores numa base diária.

Em 1881 o escocês Alexander Findlay-Smith pediu ao Governador da altura autorização para instalar uma linha de funicular entre a Garden Road e Victotia Gap, no Pico.

Entre 1908 e 1949 os primeiros dois lugares do funicular estavam permanentemente reservados ao Governador. Podia ler-se numa placa por detrás do assento "este lugar está reservado para Sua Excelência, O Governador".

Até 1926 o funicular estava dividido em três classes: a primeira para oficiais do Governador e residentes do Pico, a segunda para soldados e polícias e a terceira para os empregados dos que subiam ao Pico.

O funicular que começou por funcionar a carvão, tendo substituido pela energia electrica é hoje controlado por tecnologia informática moderna.
Se as primeiras carruagens eram feitas em madeira, evoluiu para o metal e mais tarde, o alumínio leve.
Estas evoluções foram acompanhadas por uma expansão na sua capacidade: se em 1926 transportava 52 passageiros, a partir de 1948 pôde transportar 62, em 1959 começou a poder levar 72 pessoas e desde 1989 tem capacidade para 120 pessoas.
Também a "Peak Tower" não é mesma de alguns anos atrás. Hoje em dia é um edifício enorme e modernaço, que nos proporciona bem mais do que "ver as vistas". Mais informações e imagens sobre esta evolução e sobre o que podem encontrar no Peak aqui.



Chegados lá acima, há que subir ao terraço, onde nos aguarda uma vista privilegiada sobre a baixa de Hong Kong e sobre Kowloon. Se tiverem a sorte de escolher um dia como estava ontem, a fotografia será algo como esta:



Fotos: Noite e Dia

Sexta-feira, Outubro 27, 2006

Dia X



Adenda, em 30/10/2006:
17 anos depois, umas barrigas e cabelos brancos a mais, mas a mesma energia, os Xutos acharam por bem voltar dar música ao pessoal aqui deste lado. Não vi o concerto de 1989. Parece que dessa vez os malandros resolveram antecipar-se e vir cá tocar 2 meses antes de eu regressar a Macau. Mas desta feita fizeram tudo direitinho e na sexta-feira lá estávamos todos. Eu troquei três horas de direitos reais por três horas de boa música (como disse a alguém, foi uma questão de interesse público :PPP)
Eles trouxeram a música e as letras, as mais antigas e as mais recentes, reunindo junto aos lagos Nam Van várias gerações de fãns que entoavam com entusiasmo e energia as músicas que cresceram a ouvir. Nas bancadas os mais contidos, cá em baixo os mais entusiasmados. E eram pais e filhos, alunos e professores, cantando e saltando, dançando e aplaudindo os sons bem conhecidos de uns e de outros. Se os miúdos da EP foram quem mais saltou e se divertiu em "Ai que ele cai", nas outras reinou o pessoal da minha geração, cujas letras, ainda que há muito não ouvidas, discorriam ao fechar dos olhos, como se os discos tantas vezes rodados estivessem ali, guardados num canto da memória que levámos bem acordada. E eles sabiam bem disso!
Foi uma noite cheia e que poderia ter-se prolongado por muito mais. Ninguém se importava de ali ficar pela noite dentro, de não os deixar ir embora tão cedo. Gostei muito e é tão preciso...!

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

Alergias

Há uns anos foi o relógio que me fez uma tatuagem de borbulhas no pulso que davam muita comichão. "Só pode usar relógios de ouro", disse a médica ao meu marido, entre um sorriso cúmplice. Ele não ligou nenhuma à advertência e rapidamente descobriu a linha skin da swatch: leves, sem ponteiro de segundos e totalmente em plástico. Que poderia eu (e ele) pedir mais? Fiquei cliente até hoje; é difícil encontrar outro relógio com a traseira totalmente em plástico.

Depois foi o fecho metálico do bikini. Era o meu bikini favorito (fiz-lhe alergia há uns 5 anos e continua ali arrumadinho na gaveta, na esperança de que as minhas costas façam as pazes com ele... e que a moda seja cíclica). Agora para além da estética e do preço, também tenho que atender ao material do fecho da coisa.

Foram também os brincos e os anéis: nada de fancaria, que isso não é para a minha condição! Qualquer anel de ouro para baixo (prata incluída) dá direito a outro anel: de borbulhinhas vermelhas e muita comichão. Opção: nos dedos pouco costuma haver para além da aliança.

Recentemente, mais uma novidade: o botão das jeans carimba-me na barriga a um piercing tópico.

Não, as jeans é que não, alergia!
Podes ficar com os relógios, o bikini, os brincos e os anéis, mas não fiques com elas!

Sexta-feira, Outubro 20, 2006

Vamos a números e reflexões...

Em 2005 as receitas brutas do sector do jogo cifraram-se em 45.800 milhões de patacas. As receitas fiscais sobre este montante são de 39%, para os cofres da RAEM. Daí que o orçamento, de há uns anos a esta parte, seja superavitário.

É pena que se insista em arrecadar e não se pense em investir: na formação profissional, nos cuidados de saúde, na segurança social. Temos neste momento muita falta de pessoal especializado, um único hospital público para cerca de 502 000 habitantes e um número elevado de visitantes, no qual vão faltando especialistas competentes e um sistema de segurança social muito parco em prestações sociais. Como exemplos: as pensões de vehice (aposentação) e invalidez têm um valor único de 1150 patacas mensais (115 euros), o subsídio por doença é de 55 patacas diárias (5,5 euros). Valores abaixo do mínimo de existência. Digo eu, uma vez que por cá não está definido qual é o mínimo de existência; não está fixado um valor para o salário mínimo...

Irrita-me que com tanto dinheiro se continue a pensar em expansão sem que se planeie equilibradamente o crescimento. Irrita-me que se chame mais gente a esta terra já de si pequena e que não se dote a mesma de infraestruturas para que não rebente pelas costuras. Alguém que conheço costuma dizer, com alguma graça, que a ideia é qualquer dia irmos todos viver para Zhuhai. Começo a acreditar seriamente que sim. Um destes dias nós, residentes permanentes, acordamos e percebemos que aqui já não cabemos!

Para que quer um Estado (neste caso, uma Região Administrativa Especial) tanto dinheiro, se não se serve dele para se dotar ela própria e os seus cidadãos (neste caso, residentes), do que mais precisa para assegurar o seu próprio futuro e bem estar?

Como se ainda houvesse poucos...

Foi ontem inaugurado mais um casino, o "Star World", pertence à Galaxy Resorts, operador de Hong Kong. O edifício é simplesmente horroroso, é um autêntico mastodonte plantado na Av. da Amizade. Há quem diga que está mal construido, que está inclinado. A Galaxy diz que são as más línguas...

Há cerca de um mês inaugurou o Wynn Resort. Esse sim é bonito e ao que parece o da MGM, em construção, também será. Ambos são de Las Vegas. Deste novo da Galaxy... deste não gosto! No fim-de-semana vou ver se tiro uma fotos à casinada. Para já, ficam as que encontrei por aí...

À esquerda o mastodonte "Star World", à direita o belo "Wynn" (sou tão isenta, não sou?)

Há neste momento em Macau 23 casinos em funcionamento 24 horas por dia, nos quais estão disponíveis cerca de 2.620 mesas de jogo e de 5.615 slot machines. Isto em três meias dúzias de quilómetros quadrados é obra, principalmente se tivermos em conta que até 2010 vão abrir pelo menos mais sete casinos!

Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Mãos cheias de eventos culturais

Ultimamente por aqui tem havido mãos cheias de eventos culturais.

Os Jogos da Lusofonia reuniram 11 países e territórios falantes do português oriundos de quatro continentes, para a disputa de oito modalidades (atletismo, basquetebol, futebol, futsal, taekwondo, ténis de mesa, voileibol de praia e voleibol).
Durante 14 dias, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Índia (com Goa), Macau, Moçambique, Portugal, Timor-Leste, S. Tomé e Príncipe e Sri-Lanka reuniram-se em Macau, contribuindo para o reforço dos laços de amizade e cooperação entre os países e territórios de expressão portuguesa. A entrada não era livre, mas quase. Para além de terem circulado muitos passes gratuitos (eu tinha muitos: fiquei com alguns, distribui o resto e ainda sobraram), um passe válido para todos os jogos custava 50 patacas (5 euros).
O evento não foi único: Portugal assegurou já a realização dos jogos em 2009 e a Índia e o Brasil candidataram-se para a terceira edição, em 2013.

À semelhança de anos anteriores, a Festa da Lusofonia reuniu nas Casas do Carmo, na ilha da Taipa sons, cores, cheiros e sabores dos amantes da língua lusa. Foram 3 dias em que os expositores dos vários países e territórios lusófonos (Angola, Brasil, Cabo Verde, Goa, Damão e Diu, Guiné Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste) nos mostraram um pouco da sua música, artesanato, sabores e imagens.
Os matraquilhos, os jogos tradicionais e a "Rádio Carmo" animaram as tardes e os espectáculos encheram as noites (desta feita, entre outros, a Banda da Escola Portuguesa de Macau, João Gomes e o Grupo Ligaçao, Grupo de Danças e cantares de Goa, Damão e Diu, Tuna da Universidade Católica Portuguesa do Porto, Macau Connection, Grupo Dança Brasil, Tuna Macaense, Grupo de Danças e Cantares de Macau, Clã e Cláudia Fier). Tudo de entrada livre.

Também entre nós a XX edição do Festival de Música de Macau nos trouxe este ano nomes como a Orquestra Sinfónica de Colónia, Carlos do Carmo, Richard Clayderman, Carsten Nicolai e Ryuichi Sakamoto, Gustav Mahler, Orquestra Chinesa de Macau, Xutos e Pontapés, músicos da Filarmónica e da Ópera de Berlim e a Vienna Symphony Virtuosi, entre outros. A maioria dos espectáculos é paga, mas há muitos de entrada livre. Os preços são acessíveis se pensarmos num espectáculo, mas tendo em conta que se trata de um festival e que naturalmente as pessoas pretenderão aproveitar ao máximo, sai caro.

Quinta-feira, Outubro 12, 2006

A LEI E O PARECER *

Estava a lei acabada de fazer
a despedir-se do legislador,
chegou-se-lhe ao pé o parecer
logo armado em conquistador.

- «Então esses parágrafos como vão?»
Perguntou ele com jeito sedutor.
- «Ai vão para aqui numa confusão!»
Disse a letra com virginal pudor.

- «Deixe isso comigo». E num instante
sacou os Ray-Ban... Quando sorriu,
fê-lo com um olhar tão interpretante
que o fecho éclair da letra se lhe abriu.

Com a ratio legis toda à mostra
o parecer não podia resistir,
e toda a hermenêutica foi suposta
no que o espírito podia consentir.

Explorou-lhe o sentido mais extenso
que o elemento literal lhe permitia;
ensaiou o «a contario sensu»
e chegou a arriscar na analogia.

Aplicou-lhe a maioria de razão
dilatando-lhe o implícito contingente,
de tal forma que, toda a enunciação
se abriu co-normativa de repente.

Todos os sentidos que a lei assim mostrou
recortaram um quadro tão sugestivo
que, mal os considerandos antegozou
logo se lhe arqueou o remate conclusivo.

O parecer ficou exausto depois disto...
mas parecia um relatório tão contente
que se diria à secretária dum ministro
fundamentando tudo, garboso e fluente.

Da primitiva lei, ficaram só sinais
duma singela referência histórica;
mas dos três parágrafos originais
temos agora cem páginas de retórica.

É assim que a doutrina consolida as fontes
aligeirando-as da virtude presumida
mas dando alcance aos curtos horizontes
com que o apressado autor as manda à vida.


* recebido por e-mail (eheheheh, não resisti!)

Terça-feira, Outubro 10, 2006

Acende uma vela

"As crianças vítimas de abusos através da internet não podem defender-se, mas tu podes defendê-las. Com a tua ajuda conseguiremos erradicar este flagelo. Não precisamos do teu dinheiro; somente que acendas uma vela de apoio.
Estamos a enveredar esforços para que se acendam Um Milhão de Velas até 31 de Dezembro de 2006. Esta petição será usada tendo em vista encorajar governos, políticos, instituições financeiras, organizações de pagamento, servidores de internet, companhias de tecnologia e agências de investigação policial, a erradicar a viabilidade comercial do abuso infantil online. Eles têm o poder de trabalhar juntos. Tu tens o poder de os mover.
Por favor acende a tua vela, ou envia um e-mail de apoio para light@lightamillioncandles.com
Juntos seremos capazes de destruir a viabilidade de sites de abuso infantil que destroem as vidas de crianças inocentes. Divulga esta informação, para que também os teus amigos, conhecidos, colegas e leitores acendam uma vela."

Quarta-feira, Outubro 04, 2006

Triste, triste é...

Transpirar ódio. Isso sim.
E também cheira mal!

Terça-feira, Outubro 03, 2006

Fórmula

A minha necessidade de ficar a dormir de manhã é directamente proporcional à probabilidade de haver um vizinho em obras.

Curtas

Começou hoje a escola dos meus filhos
Há dois dias que não prego olho (mas também, quem é que quer "pregar olho"? que coisa mais sinistra!)
Estou constipadíssima

Resumindo:
Tenho a cabeça a andar à roda, o nariz em obras e umas olheiras até ao chão.

Há muito que cá em casa não ouço tanto silêncio (então não se ouve?!)
Espera aí, que eu já te atendo!

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Paciência...

- Não fazes cá falta nenhuma!

Hoje é feriado

do "dia seguinte"

Domingo, Outubro 01, 2006

"A Marcha dos Voluntários"

Qi lái! Bu yuan zuo nu li de ren men!
Ba wo men de xue rou.
Zhu cheng wo men xin de chang cheng
Zhong hua min zu dao le zui wei xian de shi nou
Mei ge ren bei po zhe fa chu zui hou de hou sheng
Qi lai! Qi lai! Qi lai!
Wo men wan zhong yi xin mao zhe di ren de pao huo
Qian jin! Mao zhe di ren de pao huo.
Qian jin! Qian jin! Qian jin, jin!


De pé!
Os que recusam a escravidão!
Com nosso sangue e carne, levantamos uma nova Grande Muralha!
A Nação Chinesa enfrenta seu maior perigo,
De cada peito oprimido surge a última chamada:
De pé, de pé, de pé!
Somos milhões de corações que batem em uníssono,
Desafiando o fogo inimigo, marcharemos!
Desafiando o fogo inimigo, marcharemos!
Marcharemos, marcharemos, avante!


Hino Nacional da República Popular da China
1935
Letra de Tian Han
Música de Nie Er

(1 de Outubro - Implantação da República Popular da China)

Terça-feira, Setembro 26, 2006

A amizade sem tempo, sem limites, sem fronteiras

Dois dias chegaram para perceber:
17 anos depois e o tempo parece não ter passado pela nossa amizade!
Cada uma de nós mudou, mas as duas em conjunto continuamos iguais
A mesma cumplicidade, o mesmo olhar
A mesma sintonia no pensamento, na conversa
O mesmo riso, as mesmas gargalhadas
A mesma vontade de atravessarmos juntas o mar do tempo.
Basta uma palavra e adivinho-te a frase
Basta um olhar e sei-te o pensamento.
A minha mão na tua, o teu sorriso no meu, dois corações num só.
Como duas peças de um puzzle que se encaixam na perfeição
Como dois elos de uma corrente que não se quebra
Jamais!

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

Alteração de todos os numerais de telefone de Macau *

A partir de 1 de Outubro todos os telefones de Macau passam a ter oito dígitos, sendo precedidos de 28 os fixos de seis algarismos e de 6 os móveis.
Exemplo:
Fixo - 28######
Fax - 28######
Móvel - 6#######
Os numerais antigos continuam operacionais até ao final de Fevereiro.

Também as linhas DDI sofrerão alterações a partir de 1 de Janeiro, acrescentando-se o prefixo 8 aos sete dígitos já existentes.
Exemplo - 8#######
Os numerais anteriores ficarão operacionais até 1 de Julho de 2008.

Mais esclarecimentos aqui.

* porque um blog também é serviço público.

Terça-feira, Setembro 19, 2006

O porquê do post em branco

O post anterior está propositadamente em branco. O ano escolar não começou. É uma longa história, que tentarei resumir para a dimensão de post não-cansativo (se é que isso é possível).

Antes da transição, quando chegou a altura de fundar a Escola Portuguesa de Macau, umas quantas alminhas decidiram que o melhor local para acolher a instituição seriam as instalações da antiga Escola Comercial de Macau. Havia a possibilidade de optar pelo espaço do Liceu de Macau, instalações recentes, pensadas de raíz para uma escola, dotadas de bons espaços exteriores e desportivos (ginásio, piscina, campo de jogos), mas quem decidiu não o quis, por considerar que seria espaço a mais. Já na altura era conhecida a aspiração do Sr. Stanley Ho ampliar o Casino Lisboa, construindo um novo edifício no Campo dos Operários, mesmo ao lado da antiga Escola Comercial. Ainda assim, avançou-se... Com o tempo veio também a perceber-se que o espaço escolhido era insuficiente para albergar um número de alunos que teimava em não diminuir tão rapidamente como muitos pensaram e outros desejaram. Hoje em dia a Escola Portuguesa de Macau é uma escola a rebentar pelas costuras, com salas diminutas para o número de alunos, carecendo de manutenção e prestes a ser vizinha de um casino. Há ainda que ter em conta que o espaço não é o ideal para conviverem os cerca de 600 alunos, do 1o. ao 12o. ano de escolaridade (uns fumam e dizem palavrões, os outros acabaram de deixar a chupeta). Por todas estas razões e outras ainda, envolvendo terrenos valiosos, foi decidido que a Escola Portuguesa de Macau mudaria para novas instalações. Desde aí, já várias datas foram anunciadas para a mudança (Páscoa de 2006, fim do ano de 2006 e neste momento a opção parece que tem sido não anunciar mais datas). Foram também anunciados vários locais (para quem os conhece: ilha da Taipa frente aos Nova Taipa, junto ao Estádio ou por detrás do Hotel Hyatt, Macau, junto ao Templo de A-Ma). O critério não tem sido o do interesse dos alunos, mas sim o do interesse no terreno a disponibilizar e por isso a localização já mudou tantas vezes e ninguém se entende quanto a este assunto.

Este ano lectivo já deveria ter começado em novas instalações, mas ainda não se sabe onde essas serão construídas. Entretanto, o projecto de ampliação do Hotel Lisboa, que será o mais alto edifício de Macau, já nos olha lá do alto e tendo em conta a estrutura do mesmo, há o risco de queda de materiais nas instalações da escola. Ao que consta, durante o Verão e em surdina, surgiu a ideia de mudar a escola para instalações temporárias, mas tal só era possível com a separação dos ciclos: o 1o. ciclo em Macau e os restantes na ilha da Taipa, junto ao aeroporto. Algumas vozes se insurgiram e com razão, pois a medida iria complicar a vida a pais e alunos, principalmente nos núcleos familiares em que há crianças em ciclos diferentes (é o caso do meu). A ideia não passou disso mesmo.

Já no fim de Agosto, os responsáveis da Escola pediram garantias de segurança, para poderem dar início ao novo ano escolar. As garantias passam pela elevação de toda a carga necessária ao crescimento do edifício em altura, pela desactivação de uma grua colocada ao lado das instalações da escola e pela colocação de uma rede de protecção exterior e de plataformas horizontais em alguns pisos da obra. Estes trabalhos só estarão concluidos, na melhor das hipóteses, no fim do mês de Setembro. As aulas só se iniciarão, também na melhor das hipóteses, a 3 de Outubro.

Enquanto isso, há não-sei-quantas crianças em casa sem nada que fazer (Macau prima por isso) há quase 3 meses e uns quantos pais que já não sabem como lhes ocupar o tempo (é o meu caso), programas escolares que vão ficar por cumprir ou matéria que será dada à pressa. Não ponho em causa a decisão da direcção da escola, eu sou pelo início do ano escolar em segurança, mas ponho em causa o timing, ponho em causa as discussões intermináveis sobre o local das novas instalações da escola, ponho em causa os tantos interesses que pisam constantemente aquela que deveria ser a maior preocupação de todas: o bem-estar e a estabilidade destas crianças. E também, porque não, a dignidade de uma escola que ostenta a bandeira de Portugal.

Segunda-feira, Setembro 18, 2006

O primeiro dia de aulas

Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Preciso urgentemente de café! *

Porque lá fora chove e o dia está cinzento
Porque as minhas aulas já começaram
Porque as dos meus filhos não (nem começarão tão cedo)
Porque desde manhã que estou a ouvir ópera chinesa da vizinha de cima
Porque vou ter 3 horas seguidas de Reais, até às 11 da noite
Porque vejo filmes em vez de dormir
Porque o meu marido ressona
Porque sim!

* e tomei mesmo um café.
Nota: eu nunca tomo café, a não ser de manhã, no leite! Mas a urgência era grande, não me aguento em pé!

Sexta-feira, Setembro 08, 2006

As malas...

já chegaram!

(já estão desfeitas; nada se estragou)

Terça-feira, Setembro 05, 2006

Viagem enguiçada

Em todos estes anos poucas viagens me correram assim. Não que tenha acontecido alguma coisa grave, mas a sucessão de coisas negativas foi de tal forma, que temi que acabasse de forma pior.
Tudo começou à chegada ao aeroporto, duas horas antes da partida, tal como recomendado. Não havia lugar no primeiro piso do parque de estacionamento, o que não é habitual. Descemos um andar e lá estacionámos o carro. Tudo bem até aqui. A verdadeira aventura começou mesmo quando constatámos que ambos os elevadores estavam fora de serviço e tivémos que acartar dois malões pesados escada acima. "Isto começa mal", penso eu. Mas o que era isso?
A fila para o check-in já era enorme, apesar de ainda ser cedo. Lá esperei a minha vez. Uma senhora simpática da ANA (ou SPDH, ou que raio se chama agora à empresa do pessoal de terra) fez-me o check-in electrónico e por isso os lugares foram os que saíram da máquina, que como tal não teve o cuidado de me arranjar uns lugares decentes. Ao depositar a bagagem, a novidade do ano do check-in: "as malas não podem ter mais que 32 Kgs. cada uma" (ando nisto há mais de 20 e nunca tinha ouvido falar destes limites. Já tenho viajado com malas mais pesadas. Todos os anos há um factor surpresa no check-in. No ano passado foi exigirem declaração do outro progenitor, em caso de um dos pais viajar sozinho com os filhos menores; este ano parece que os pais já não raptam filhos, não me pediram nada, nem me viram os passaportes). Toca a tirar algumas coisas das malas, não que não façam falta, se as trago é porque fazem... o que me vale é que o meu pai vem daqui a uns dias e lá ficaram algumas coisas pesadas, marmelada e doces da mãe, bacalhau, algumas gangas e livros. A confusão foi tal, que já nem discuti os lugares que me sairam na máquina. A palavra de ordem era pressa: "o embarque já começou, tem que entrar já". Passos largos para a zona do embarque, despedidas apressadas ("olha, hoje nem chorei, nem tive tempo", ainda disse à minha filha), corrida para a porta de embarque, que era a mais longe possível do aeroporto (nunca tinha entrado naquela porta). À entrada para a manga do avião só me viram os talões de embarque. Ou seja, se quisesse poderia ter viajado até Paris sem documentos válidos, ou com um bilhete em nome de outrém. Bela segurança, nos tempos que correm.
O meu filho trazia umas picadas de mosquito na cara, a que não tive tempo de ligar. Não sei de onde vieram que não vi mosquito algum, mas ao longo de toda a viagem fomos os três mordidos insistentemente. Cheguei a pensar que fosse alguma alergia, ou outra coisa qualquer. Será que engolimos algum mosquito que nos mordeu de dentro para fora? É que já perdi a conta às picadelas x 3, sem perceber de onde vinham.
O avião já saiu de Lisboa meia-hora depois da hora prevista, o que me levou a duvidar que apanharíamos a ligação, já que em Paris o tempo de intervalo entre ambos os vôos é de apenas uma hora. Para nós, o tempo foi suficiente, mas à justa. Após percorridos os intermináveis corredores de Charles de Gaule, chegámos à porta de embarque e já se fazia fila. Ao que parece, as malas não tiveram a mesma sorte.
À chegada aos lugares 31, mais uma surpresa: ficavam junto às casas de banho e na última fila de uma secção (estes lugares não recostam tanto como os outros). Que mais pode uma mulher desejar? A refeição de criança dos miúdos apareceu, felizmente e ao contrário do que aconteceu na viagem de ida. Ao menos isso! Lá se regalaram com os miminhos, chocolatinhos, iogurtinhos e brinquedos (para a próxima também posso pedir refeição de criança? É que sola de sapato com puré não é de todo o meu menu favorito!). Valeu-me uma sandes de marmelada com requeijão que a minha mãe me preparou. Eu nunca me fio na comida de avião, nunca viajo sem umas sandochas.
O único a dormir alguma coisa de jeito foi o Gonçalo. A Joana dormiu pouco e eu não dormi nada. O barulho e luzes constantes das idas às casas de banho toda a noite não ajudou muito à já desconfortável posição e ao facto de aqueles bancos recostarem pouco.
Chegámos a Hong Kong à hora prevista. Suspirei de alívio quando o avião encostou à manga. Estava a espera de mais surpresas desagradáveis. Saímos do avião com calma, afinal já estávamos perto de casa, só já faltavam as malas. Pois, as malas. Essas não chegaram a aparecer e quando vi a placa "end of luggage delivery" no tapete, a reacção foi somente sorrir e dirigir-me calmamente ao balcão de reclamações. Antes isso que uma perna partida!
O autocarro A11 e o Jetfoil fazem-se melhor sem malas. Chegámos mais leves e mais depressa a casa. Hão-de aparecer. Desde que venham com os queijos, as chouriças e os salpicões, está tudo bem!
E até para o ano!

E viva o jet-lag!

3:50 da manhã, eu e o Gonçalo acordados.
5:00 da manhã junta-se-nos a Joana.

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

De volta ao Oriente

Inteira, mas sem malas! Não chegaram! O tempo em trânsito em Paris é tão curto, que por vezes não é suficiente para a transfega da bagagem.
Mas nem tudo é mau. Pelo menos viémos mais leves de Hong Kong e em princípio amanhã virão trazer-mas a casa. A questão mais preocupante é mesmo a que se segue:

- Por onde andarão os meus queijos e as minhas chouriças?!

Sábado, Julho 15, 2006

Lisboa

Alguém diz com lentidão:
"Lisboa, sabes..."
Eu sei, é uma rapariga
Descalça e leve.
Um vento súbito e claro
Nos cabelos,
Algumas rugas finas
A espreitar-lhe os olhos,
A solidão aberta
Nos lábios e nos dedos,
Descendo degraus
E degraus
E degraus até ao rio


Eugénio de Andrade

(Noite, do lado de cá)

Sexta-feira, Julho 14, 2006

É já tempo d' embalar a trouxa e zarpar

Daqui a duas horas estarei a entrar no jetfoil que me levará a Hong Kong, três horas depois no avião que me transportará até Paris, depois desse noutro que me aterrará em Lisboa e só então o carro dos pais me fará chegar finalmente a casa.
São muitas horas de muito cansaço, mas a paz interior, as emoções, o divertimento, o descanso, os sabores, a família, os amigos, o céu, o sol valem cada um dos minutos desespero desta viagem (ok, agora estou a ser dramática. Para cá custa muito mais!).
Então até amanhã, em terras lusas.

Quinta-feira, Julho 13, 2006

Parabéns, Vague!


The Great Wave, Beth Neville

O mar acordou revolto, naquele dia nascia uma vaga. Uma onda grande, bela, imponente, que se enrolava elegante entre banhos de espuma e molhos de sal. Na areia jazia um búzio cor de pérola, que encostei ao ouvido. A suave melodia das ondas misturava-se com a tua voz meiga. Soprei lá para dentro um "Parabéns, Vague", certa de que se as ondas vão e vêm, também o búzio que me traz a tua voz te levaria o meu recado. Recebeste-o? :)

(desculpa só postar hoje, mas alguém tinha que compensar o adiantamento da Bastet. Assim já está tudo equilibrado! :))) )

Sábado, Julho 08, 2006

A felicidade existe!

Descobri-a nas unhas de gel! :ppp



(o que é um pequeno passo para a humanidade é um grande passo para mim. É que eu nunca tinha tido unhas para lá dos dedos!) :D

Quinta-feira, Julho 06, 2006

Pela boca morre o peixe

Um dos filmes de que mais gostei nos últimos tempos foi "As Horas", baseado no romance de Michael Cunningham com o mesmo nome. O enlace, o desempenho brilhante de três actrizes que muito admiro, a maravilhosa banda sonora de Philip Glass, que se entranha nos ouvidos, na cabeça, no corpo, levaram-me a tazer para casa e rever o belo filme.
No início da minha matiné caseira, uma ronda por imagens de outros filmes (uns a ver, outros não) e antes destes uma advertência forte:

Você não roubaria um automóvel
Você não roubaria uma carteira
Você não roubaria um telemóvel
Você não roubaria um filme
Comprar filmes piratas é roubar
Roubar é contra a lei
A pirataria é crime

Estaria tudo muito certo, se o DVD que contém esta lição não fosse ele próprio... pirata!

Quarta-feira, Julho 05, 2006

Hoje, por SMS

P-Persistência
O-Optimismo
R-Respeito
T-Trabalho
U-União
G-Garra
A-Amor
L-Luta

Se crês em Portugal, se acreditas que o sonho pode ser real. Se apoias a selecção nos bons e maus momentos... Envia esta mensagem aos teus amigos e vamos fazer com que todo o país a leia. Não cortes a corrente...
FORÇA PORTUGAL!!!...

Ou muito me engano, ou esta foi posta a circular pela própria CTM (a minha operadora)... é uma mina! ;)
(pelo sim pelo não, não vai por SMS, vai por aqui. É que assim como assim, eu tenho dezenas de leitores [cof-cof] e quando chegar a conta do telefone, já o mundial se foi... :D )

Quarta-feira, Junho 21, 2006

Um ratinho em viagem

Desde cedo concordámos em alimentar o imaginário dos mais pequenos, não só com histórias, mas também com todas aquelas figuras da nossa infância, como o Pai Natal, a Fada e o Ratinho dos Dentes, por acharmos que é algo bonito de se acreditar. Haverá algo melhor que dormir feliz com o dente recém caído debaixo da almofada, imaginando que uma fada entrará pelo nosso quarto adentro, coberta de pozinhos luminosos e nos deixará um presente na almofada? Ou termos o cuidado de deixar, na véspera de Natal, junto à janela, leitinho e filhós para o velhinho recuperar energias e distribuir os presentes pelas crianças de todo o mundo? Não, não há. É bonita a fantasia, é bom acreditar, por isso sempre o estimulámos.

Mas se a mais velha com o passar do tempo foi distinguindo bem o real da fantasia, sem precisar de qualquer achega da nossa parte, já o mais novo continuava a tomar tudo como realidade, o que por vezes nos causava algumas dificuldades. Ainda há bem pouco tempo, por exemplo, caiu-lhe um dente e ficou feliz, por saber que a Fada viria nessa noite. Mas ao chegar o momento de colocar o dentinho debaixo da almofada, já não sabia onde o tinha posto e ficou muito aflito, chorou até, por achar que assim não seria visitado. A aflição foi tanta, que eu e o Pai achámos por bem revelar-lhe que a Fada dos Dentes era a Mãe e o Ratinho dos dentes era o Pai e que por isso não se preocupasse, que nós sabíamos que lhe tinha caído o dente, ainda que não soubesse dele (já não me lembro qual a razão da diferença, mas a mais velha acreditava que era o Ratinho e o mais novo que era a Fada quem trazia os presentes). A princípio pareceu não acreditar, mas depois até achou alguma piada e foi contar à irmã a grande descoberta .

O Pai está fora de Macau em trabalho, há uns dias. Ontem caiu um dente à mais velha. Apesar de adolescente, por vezes ainda lhe convém ser criança e por isso pensou em voz alta: “será que se eu puser o dente debaixo da almofada ainda tenho direito a qualquer coisa?”. Responde logo o mais novo, sorrindo “sim, Joana, mas tem que ser a Fada dos Dentes, porque o Ratinho dos Dentes não está cá!” ;)

Segunda-feira, Junho 19, 2006

A realidade do virtual

Levo neste momento mais de dois anos de blogoesfera, entre blogger e mera espectadora. Durante estes dois anos tenho virtualmente conhecido pessoas com quem a empatia foi de tal forma, que tenho a certeza que algo mais ficará para além dos comentários deixados aqui e ali. Pessoas com quem rapidamente me identifiquei, ou não, mas cujo contacto tem vindo a criar laços fortes que espero que se mantenham, cresçam e se tornem reais.

Uma das pessoas com quem sinto que criei uma empatia maior foi a Vague. Comentário aqui, comentário ali, cada texto e cada e-mail trocado fizeram-me sentir que algo mais se estaria a construir, que pura vizinhança virtual. Talvez por isso e com alguma graça, antes de lhe ouvir a voz pela primeira vez, imaginava-a, soava na minha cabeça cada vez que lia um texto ou um comentário seu. Era meiga, doce, tinha um tom e uma expressão muito próprias. Não sei onde fui buscá-la, mas imaginei-a, talvez pela necessidade de a concretizar numa pessoa real, com uma voz, um rosto, que isto da blogoesfera tem a sua piada, mas é pouco real.

Ao falar com a Vague pela primeira vez ao telefone apercebi-me de que a sua voz nada tinha a ver com a que eu tinha imaginado. Embora igualmente doce e meiga, não era a mesma, o que não importa nada, porque eu agora conheço-lhe a voz verdadeira (e é igualmente meiga) ;) .
Durante a minha estadia em Portugal, nas férias do ano passado, tive a boa oportunidade de me encontrar com a Vague e a Bastet, dando um outro passo e um outro sentido ao elo que já nos unia. Foi uma tarde muito agradável, entre chá, sconnes e espirros (a Bastet estava com alergia, mas não era a mim, garanto que ela já trazia aquilo de casa). Agora quando leio o que escrevem é a sua voz que eu oiço, o seu rosto que eu vejo, sem artifícios, sem fantasias. São reais.
(Não faço ideia qual a razão de nunca ter escrito sobre este encontro aqui, mas marcou-me muito.)

Outra das pessoas com quem fui criando uma certa cumplicidade foi com a Sandra. Para mim, a Sandra já tinha um rosto, que pelas fotografias que coloca no blog, há muito que a tinha identificado. E não lhe disse isto, mas aconteceu-me por mais do que uma vez passar por ela na rua e sorrir, em jeito de cumplicidade, cumplicidade que durante uns tempos deixei que fosse apenas minha. Era a Sandra, a Mãe do Daniel e da Eliana, que diariamente nos conta de forma bonita as suas estórias. Prosseguindo este meu périplo pela realidade do virtual, desafiei a Sandra para um café. Só fazia sentido, após meses de visitas virtuais à casa uma da outra e já que estamos tão próximas. À hora marcada lá nos encontrámos para uma água e um sumo de laranja, já que café é coisa que nenhuma de nós toma. A conversa foi muito agradável, fomos falando sobre tudo, como se fosse apenas mais um encontro, como se não fosse o primeiro. A Sandra que já tinha um rosto passou também a ter uma voz. É real. Gostei de a conhecer e espero vir a conhecê-la melhor.

Como elas, há outros bloggers que gostaria muito de conhecer, para dar um outro sentido a uma cumplicidade que já existe. Espero vir a concretizar este meu desejo este ano, pelo menos em relação a alguns deles. :)

Exames

Com a notícia bem recebida de 6a. feira, de mais uma pauta afixada, não posso por fim descansar mas já fico relativamente descansada. O semestre correu bem, o ano correu bem. Falta apenas meia cadeira para ter os dois pés bem assentes no 4o. ano. Sim, meia: é uma semestral.

Continuo a não saber lidar com o stress pré-época e pré-exame. Enervo-me muito, entro em pânico, tenho a sensação de que nunca estou bem preparada. Felizmente os resultados têm vindo a desmentir estes receios e a demonstrar-me que posso e preciso de ter um pouco mais de auto-confiança e não entrar naquele estado de stress, que a única coisa que pode vir a fazer é prejudicar-me.

Após uma semana de intervalo para recuperar forças e tratar de assuntos pessoais e familiares, aqui estou eu novamente sentada a uma secretária da biblioteca, junto à janela, em preparação da meia que me resta. Não é a mesa habitual, a da bela-vista de que tanto gosto, essa está ocupada com não-sei-quantos suportes com revistas, que uma biblioteca também tem que ser arrumada de vez em quando. Esta janela não dá para a baía, nem para Macau, mas sim para um monte de barracas com telhados de zinco e um estaleiro de obras. Tenho que ver se me mudo daqui, que o cenário não é nada inspirador.

O dia acordou cinzento, chuvoso e barulhento. A chuva e a trovoada entretanto amainaram, mas ainda assim o pessoal optou por ficar em casa: tenho a biblioteca só para mim! :)

E assim declaro inaugurada mais uma época de exame(s).

Quinta-feira, Junho 08, 2006

O que há em mim...

é sobretudo cansaço!

(na agenda para amanhã: dormir, dormir, dormir...)

Sexta-feira, Junho 02, 2006

Festa!



Entrem, recostem-se, sirvam-se e fiquem por aí! Afinal, o dia ainda tem meia-hora mais sete! ;)

Um dia perfeito

O dia acordou cinzento, como tem sido hábito ultimamente. Lá fora chove imenso, troveja, o sol nem se vê, escondido pelas núvens negras e espessas. Nem os passaritos se agitam de galho em galho, nem as árvores são abrigo, nem as pessoas se aventuram por entre as ruas lavadas.

Mas o dia é meu... é perfeito! :)

Quinta-feira, Junho 01, 2006

Os Direitos das Crianças

por Matilde Rosa Araújo

1.
A criança,
Toda a criança.
Seja de que raça for,
Seja negra, branca, vermelha, amarela,
Seja rapariga ou rapaz.
Fale que língua falar,
Acredite no que acreditar,
Pense o que pensar,
Tenha nascido seja onde for,
Ela tem direito...

2.
...A ser para o homem a
Razão primeira da sua luta.
O homem vai proteger a criança
Com leis, ternura, cuidados
Que a tornem livre, feliz,
Pois só é livre, feliz
Quem pode deixar crescer
Um corpo são,
Quem pode deixar descobrir
Livremente
O coração
E o pensamento.
Este nascer e crescer e viver assim
Chama-se dignidade.
E em dignidade vamos
Querer que a criança
Nasça,Cresça,Viva...

3.
...E a criança nasce
E deve ter um nome
Que seja o sinal dessa dignidade.
Ao Sol chamamos Sol
E à Vida chamamos Vida.
Uma criança terá o seu nome também.
E ela nasce numa terra determinada
Que a deve proteger.
Chamemos-lhe Pátria a essa terra,
Mas chamemos-lhe antes Mundo...

4.
...E nesse Mundo ela vai crescer:
Já sua mãe teve o direito
A toda a assistência que assegura um nascer perfeito.
E, depois, a criança nascida,
Depois da hora radial do parto,
A criança deverá receber
Amor,
Alimentação,
Casa,
Cuidados médicos,
O amor sereno de mãe e pai.
Ela vai poder
Rir,
Brincar,
Crescer,
Aprender a ser feliz...

5.
...Mas há crianças que nascem diferentes
E tudo devemos fazer para que isto não aconteça.
Vamos dar a essas crianças um amor maior ainda.

6.
E a criança nasceu
E vai desabrochar como
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro,
E
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro
Precisam de amor – a seiva da terra, a luz do Sol.
De quanto amor a criança não precisará?
De quanta segurança?
Os pais e todo o Mundo que rodeia a criança
Vão participar na aventura
De uma vida que nasceu.
Maravilhosa aventura!
Mas se a criança não tem família?
Ela tê-la-á, sempre: numa sociedade justa
Todos serão sua família.
Nunca mais haverá uma criança só,
Infância nunca será solidão.

7.
E a criança vai aprender a crescer.
Todos temos de a ajudar!
Todos!
Os pais, a escola, todos nós!
E vamos ajudá-la a descobrir-se a si própria
E os outros.
Descobrir o seu mundo,
A sua força,
O seu amor,
Ela vai aprender a viver
Com ela própria
E com os outros:
Vai aprender a fraternidade,
A fazer fraternidade.
Isto chama-se educar:
Saber isto é aprender a ensinar.

8.
Em situação de perigo
A criança, mais do que nunca,
Está sempre em primeiro lugar...
Será o Sol que não se apaga
Com o nosso medo,
Com a nossa indiferença:
A criança apaga, por si só,
Medo e indiferença das nossas frontes...

9.
A criança é um mundo
Precioso
Raro.
Que ninguém a roube,
A negoceie,
A explore
Sob qualquer pretexto.
Que ninguém se aproveite
Do trabalho da criança
Para seu próprio proveito.
São livres e frágeis as suas mãos,
Hoje:
Se as não magoarmos
Elas poderão continuar
Livres
E ser a força do Mundo
Mesmo que frágeis continuem...

10.
A criança deve ser respeitada
Em suma,
Na dignidade do seu nascer,
Do seu crescer,
Do seu viver.
Quem amar verdadeiramente a criança
Não poderá deixar de ser fraterno:
Uma criança não conhece fronteiras,
Nem raças,
Nem classes sociais:
Ela é o sinal mais vivo do amor,
Embora, por vezes, nos possa parecer cruel.
Frágil e forte, ao mesmo tempo,
Ela é sempre a mão da própria vida
Que se nos estende,
Nos segura
E nos diz:
Sê digno de viver!
Olha em frente!

A normalidade segue dentro de instantes

Tantos dia sem escrever e dá-me para encher o blog de impropérios no Dia Mundial da Criança.
Valhamedeus!


Pequena dúvida: será *&$@#!^%() um impropério?

*&$@#!^%()

Duas noites seguidas a acordar em sobressalto com a campaínha, entre as 4 e as 5 da manhã, para ir tirar carros da garagem! A primeira porque não nos apercebemos de que iria chover e a segunda pelo excesso de confiança do marido (sim, que o meu ficou na rua).

*&$@#!^% para o marido, para a chuva, para a bomba da água, para o porteiro, para o condomínio, para os carros, para os vizinhos conformistas, para...

Quinta-feira, Maio 25, 2006

Kidalêuuu!!! *







* (expressão do "forro", crioulo de S. Tomé e Príncipe, que significa "Socorro!!!")

Domingo, Maio 21, 2006

Cansada!

... e ainda a procissão vai no adro!

Quarta-feira, Maio 03, 2006

O pequeno vigilante

No fim de um dia de trabalho e com o corpo ainda no fuso horário da viagem de que voltara um dia antes, o Pai suspira de alívio: conseguira por fim pôr as crianças na cama. Recosta-se no sofá, deitando o olho a um filme. Interessante? Desinteressante? Não chega a saber. O cansaço vence-o e antes mesmo do primeiro intervalo já fechou os olhos. O filho protector, que ainda não dorme, dirige-se à sala, aproxima-se do Pai inerte, passa-lhe a mão na cabeça e sorri, dando a missão por cumprida. Em seguida dirige-se ao quarto da irmã e diz-lhe, com voz meiga: já adormeci o Pai, agora vou adormecer-te a ti!

Terça-feira, Maio 02, 2006

Mais um hábito estranho ou como evitar um thriller nocturno

Com o marido fora de Macau em trabalho pela terceira vez neste ano, confirmo o que já havia constatado nas vezes anteriores: mesmo quando tenho a cama só para mim, ocupo só o meu lado. Não consigo explicar o porquê deste desperdício, mas talvez esteja no meu sub-consciente... talvez assim o tal do serial killer se mantenha sossegadito lá no canto dele e me poupe a uma matança bárbara e sangrenta (só espero estar a dormir do lado certo!) :P

(que te parece, Vague?)

Segunda-feira, Maio 01, 2006

Pão da tarde



Foto (e pão) por: Noite

Não é o de Campo d'Ourique, mas pronto! :)

1o. de Maio - Dia do Trabalhador




No dia 1 de Maio de 1886 realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago nos Estados Unidos da América. Essa manifestação tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de centenas de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA. No dia 3 de Maio houve um pequeno levantamento que acabou com uma escaramuça com a polícia e com a morte de alguns protestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, uma nova manifestação foi organizada como protesto pelos acontecimentos dos dias anteriores, tendo terminado com o lançamento de uma bomba por desconhecidos para o meio dos policiais que começavam a dispersar os manifestantes, matando sete agentes. A polícia abriu então fogo sobre a multidão, matando doze pessoas e ferindo dezenas. Estes acontecimentos passaram a ser conhecidos como a Revolta de Haymarket.

Três anos mais tarde, a 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris decidiu por proposta de Raymond Lavigne convocar anualmente uma manifestação com o objectivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1 de Maio de 1891 uma manifestação no norte de França é dispersada pela polícia resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serve para reforçar o dia como um dia de luta dos trabalhadores e meses depois a Internacional Socialista de Bruxelas proclama esse dia como dia internacional de reivindicação de condições laborais.

A 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adota o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países.
(eu acrescento, incluivé a R.P.C)

Fonte: Wikipedia

Domingo, Abril 30, 2006

Quando se faz o que dá na bolha

Passamos a vida a ensinar aos nossos filhos o que é certo e eles passam boa parte do tempo em que nao estamos por perto a fazer exactamente o contrário. Por vezes aprendem-no da pior forma.
Há coisa de dois meses uma menina que vive cá em casa decidiu fazer mais dois furos em cada orelha, à revelia dos pais e contra a sua vontade. Hoje quando trocava os brincos, apercebeu-se de que algo não estava bem. Tinha uma bolha de pus por detrás de cada orelha, junto aos terceiros furos. Muita fita para retirar os brincos, muitas lágrimas para tentar espremer e desinfectar a coisa, muito pânico perante a hipótese de ter que se dirigir ao hospital, adivinhando um tratamento desagradável.
A ida ao hospital não se veio a revelar tão traumática como à partida se pensou e o bom humor do médico depressa substituiu a aflição por boa disposição. Por ora, há que tomar antibiótico. Esperamos que não seja preciso mais nada.
Não ganhou para o susto! (esperamos que tenha aprendido alguma coisa...)

Sexta-feira, Abril 28, 2006

Será que o céu vai cair?!

Acordei às 5 da manhã com um toque frenético de campaínha. Não deviam estar a tocar há muito, que tenho o sono leve, mas por outro lado também demorei a chegar à porta, que isto às 5 da manhã não é fácil... Enquanto me encaminhava para a porta e ouvia a trovoada e as bátegas de chuva a cairem nos aparelhos de ar-condicionado, ia adivinhando quem seria o mensageiro e qual o assunto. Não me enganei! Era o porteiro (este não é aquele incompetente; é meio cego e meio surdo, mas é diligente. Não está traçado para o cargo, mas a culpa também não é dele). Entre gestos e palavras lá confirmei que dizia estar a chover muito (tai loc yu) e para ir tirar os carros (tché) da garagem. Isto é fantástico: a minha garagem é a única que conheço que para proteger os carros dos utentes quando chove, é preciso dar-lhes ordem de despejo.
Ora, eu de momento estou sozinha. O meu marido, que é quem quem costuma ser a vítima destas tarefas, está fora em trabalho. Marido fora... dois carros para tirar da garagem... duas crianças a dormir profundamente... enquanto tentava resolver o meu dilema, a campaínha volta a tocar freneticamente. Era uma vizinha a dar-me o mesmo recado e o meu dilema ficou logo resolvido quando me apercebi da cara de pânico da mulher! Lá me vesti, lá desci, lá pus as patas na poça (a altura da água já era considerável), tirei um carro e depois o outro e levei dois banhos no regresso a pé. Um deles ficou em local proibido (não havia outro minimamente perto para que eu não me afogasse no regresso). É claro que o resto da noite passou comigo a tentar adormecer e é claro que quando estava mesmo, mesmo a adormecer, tocou o despertador.
A Joana seguiu para a escola numa aberta, teve sorte. Eu e o Gonçalo não tivémos tanta. Quando saímos, mais uma vez chovia a cântaros. Banho à porta de casa, banho à porta da escola. Isto de entrar e sair do carro com guarda-chuva na mão tem que se lhe diga. Molhei-me toda, mas pelo menos o miúdo escapou.
No regresso a casa, enquanto tirava mais uma vez a roupa molhada, começo a pensar no carro do Dia, estacionado em local proibido. Lá vou eu mais uma vez para a rua, mais chuva, outro banho.
Agora amainou, mas pela cor do céu, não me parece que vá parar tão cedo.

Quarta-feira, Abril 26, 2006

Nasceu o Miguel! :)

Terça-feira, Abril 25, 2006

25 de Abril...



Sempre!

Juntem-se às comemorações do Ante et Post

Sexta-feira, Abril 21, 2006

Monge budista


Foto: Noite

Quinta-feira, Abril 20, 2006

i

"Um verdadeiro amigo é alguém capaz de tocar teu coração desde o outro lado do mundo"

Adoro-te! :)

Quarta-feira, Abril 19, 2006

Marlboro lights tailandês


Foto: Noite

(se eu fumasse, já não fumava...)

Terça-feira, Abril 18, 2006

Sawasdee!*


Assim nos recebe, o Ronald tailandês.

* "Benvindo", em Thai.

Segunda-feira, Abril 17, 2006

Perdoem-me os fiéis leitores...

mas nos últimos dias e à vossa revelia troquei-vos por estas paragens:

Praia de Jomtien, Pattaya, na Tailândia. Foram quatro diazitos em grande, aproveitados ao máximo entre praia e piscinas.
A praia não ficou entre as minhas preferências. O areal é curto, as águas não são tão límpidas, o cenário não é tão paradisíaco como as praias que continuo a preferir: as do Sul (Phuket), mas ainda não me sinto preparada para me banhar onde tanta gente perdeu a vida. Mas sempre era uma praia com Sol e águas quentes, o que veio mesmo a calhar por esta altura. A temperatura da água é optima: entra-se nela sem hesitações, sem necessidade de o fazer aos poucos e fica-se de molho até fartar. As águas são calmas e temos pé até perder de vista. A temperatura é quente, sabe bem o solinho a bater nas costas. A praia é pequena e semi-privada, já que só tem acesso pelo hotel. É frequentada por pouca gente e está bem apetrechada, com espreguiçadeiras e guarda-sóis, chuveiros e serviço de mesa! Numa zona da praia, mulheres fazem optimas e baratas massagens (uma hora, 4 euros), tratam das mãos e dos pés e fazem trancinhas no cabelo (é um must). O hotel era muito bom, muito bem organizado, muito bem apetrechado, muito seguro. Os funcionários muito simpáticos, prestáveis e atenciosos, como aliás é característico do povo tailandês, bom serviço, bom buffet de pequeno almoço, bons restaurantes, belas piscinas, muitas facilidades.
No dia 13 foi a grande festa do Songkram, a passagem de ano tailandesa. Tivémos um jantar de gala no Hotel, um jantar-buffet, em que comemos de tudo um pouco, em que houve música ao vivo e várias demonstrações da arte tailandesa, nos arranjos de frutas e flores.


Grande tradição desta festa é atirar água e farinha a quem quer que passa, o que não nos aconteceu no nosso reputado hotel, mas que experimentámos bastante no nosso passeio a Pattaya, à "Walking Street", grande centro de bares, compras e restaurantes da cidade, para os turistas. Há pessoal que anda três e mais dias em grupo, em carrinhas de caixa aberta com bidões de água, a dar banhos a quem está na rua, ora com tijelas de plástico, ora com pistolas de água (há inúmeras no mercado, umas com depósitos enormes). É uma tradição divertida, que devemos acolher com um sorriso, ainda que fiquemos molhados dos pés à cabeça. Afinal está calor, até sabe bem! :) Não tenho imagens da "guerra de água", porque não arrisquei a testar a resistência à água da minha máquina fotográfica.

Walking Street

Esta é uma imagem da Walking Street durante o dia, que é totalmente diferente à noite. Durante o dia a rua é quase toda de quem nela caminha, as lojas estão abertas, mas há poucas tendinhas na rua, há pouca música, metade dos restaurantes estão fechados e os bares estão às moscas. À noite, parece outro local. Na rua não se rompe, pela quantidade de gente que nela se passeia, para além das lojas abertas, há várias tendinhas, vendendo pulseiras, colares, manufacturas tailandesas, CD's, DVD's e outros, todos os restaurantes estão abertos, os bares apinhados de gente são abertos para a rua e a sua música ecoa e entrelaça-se com a música do bar do lado e ainda com a da tendinha do homem que vende CD's piratas. É uma rua cheia de animação, onde toda a gente procura diversão e alguns, algo mais. Uma das indústrias relevantes da Tailândia como se sabe é a prostituição e isso nota-se bem nos ambientes nocturnos.

Há coisas muito giras para comprar: artigos em madeira (jogos, bibelots - sobretudo elefantes, mas há outras variantes) artigos em seda, vestuário de marca, artigos em pele de elefante, velas lindíssimas, almofadas giríssimas, quadros e muitas, muitas outras coisas. Discutir o preço é um ritual muito forte. O preço inicial nunca é o final; desce sempre muito, por vezes para metade, entre ameaças da nossa parte de que nos vamos embora sem a compra e da parte deles, de que o patrão lhes corta o pescoço (acompanhadas do gesto). Continuo a não ter jeitinho nenhum para regatear, mas o que é facto é que os preços estão inflaccionados a contar com isso e que eles nunca ficam a perder.

Foi o resumo dos meus quatro diazitos de férias: bons, intensos, com muita diversão e em boa companhia! :)

Terça-feira, Abril 11, 2006

No cabeleireiro


Foto: daqui

Passo à porta do cabeleireiro onde costumo ir. O sinal rotativo está ligado, o que significa que está aberto. Entro. O rapaz pergunta-me “cut?”, ao que anuo com a cabeça. Indica-me uma cadeira para me sentar. Do meu lado esquerdo uma mulher lê uma revista, do meu lado direito um homem ouve música de um aparelho de mp3. Aqui os cabeleireiros são para homens e mulheres e empregam homens e mulheres, sem distinção.
Traz-me uma “bata” de protecção, que me ajuda a colocar e sento-me na cadeira. Ajeita-me uma toalha à volta do pescoço, vai buscar um frasco de champô e outro de água e comigo sentada na cadeira de corte, começa a lavar-me a cabeça. Ora coloca champô, ora água na cabeça e vai-me esfregando o cabelo, massajando lentamente. As suas mãos passam por todos os pontos da minha cabeça, por várias vezes, resultando numa massagem relaxante, em que apetece passar pelas brasas. Volta e meia faz uma concha com as mãos, retira a espuma que já é muita, vai livrar-se dela aos lavatórios, regressa e retoma a lavagem/massagem, que dura uns 10 minutos. Quando a considera terminada, então sim dirijo-me aos lavatórios para passar o cabelo por água e colocar o amaciador.
O corte está limitado a tendências muito simples, já que os nossos cabelos são muito diferentes dos dos chineses, em regra lisos e grossos. Não se pode pretender inventar muito, caso contrário sai algo que não pedimos. :)

Quarta-feira, Março 29, 2006

Barbearia


Foto por: Noite

No meio da rua, deparei-me com esta barbearia. No meio de uma rua estreita. Um espelho pregado à parede, uma cadeira adequada, umas lonas a abrigar da chuva, uma ventoínha para afastar o calor, mais uns quantos instrumentos e temos uma barbearia. O barbeiro estava sentado, aguardando a clientela. Enquanto isso, fumava um cigarro e lia o jornal. Pedi-lhe para tirar uma fotografia e rapidamente abandonou o cenário. Em regra não gostam de ser alvo das fotografias. "Rouba-lhes" a alma, ouvi dizer...

Domingo, Março 26, 2006

Post-it

Sábado, Março 25, 2006

Já estou melhor, obrigada!

Ataques de pânico, suores frios, desorientação, perturbações do sono, irritação permanente...
doença grave do séc. XXI, bem se vê!
Não, não foi gripe das aves:

Estive info-excluída durante dois dias!
(por favor, tirem-me tudo menos a internet!)

Quinta-feira, Março 23, 2006

Os "bons alunos" e "os outros"

É triste que certos "profissionais" da educação não entendam que as crianças não são todas iguais. Que há modos de estar diferentes, níveis de desenvolvimento que os miúdos vão conquistando, passo a passo cada um ao seu ritmo. É triste que o aprendam nas faculdades, que o decorem para os exames, que obtenham uma boa nota por o saberem naquela altura, até, mas que o esqueçam logo a seguir. É triste que se esqueçam que há algo que se chama Efeito de Pigmalião: as expectativas que temos dos outros fazem-nos adoptar determinado tipo de postura em relação a eles, que pode vir a alterar substancialmente o seu comportamento, que acabará por espelhar as nossas expectativas iniciais. Em suma, o efeito Pigmalião significa que os alunos têm melhores desempenhos quando os professores depositam neles elevadas expectativas. Isto é aprendido nas faculdades: eu também o aprendi e lembro-me muitas vezes, até nas minhas relações pessoais, porque é algo que deve estar sempre presente na nossa vida. É triste que, ao contrário, não se aposte na motivação, na auto-estima, no encorajamento, para que se obtenham alunos motivados, confiantes, capazes, mas que se insista em carimbar os miúdos e desistir deles logo à partida. É triste que a escola imponha logo em tenra idade a ideia de que temos que ser todos iguais, porque é mais fácil trabalhar assim, quando nunca na vida seremos todos iguais. É triste que a escola escolha à partida "os melhores", para que sigam caminho e que deixe para trás "os outros". Sim, "os melhores" e "os outros". Não "os normais" e os "desiguais". Senão, qual o padrão de normalidade? Eu não sei qual é e creio que não haverá um. Aliás, se a escola continuar a exercer este tipo de pressão em crianças de 7 anos de idade, o padrão de normalidade rapidamente passará a ser o "dos outros".
É triste sentir que a competitividade começa no primeiro ciclo do ensino básico. É triste sentir o peso da exclusão aos 7 anos de idade, só porque se é um bocadinho diferente. Este é o sentimento de uma mãe aos olhos de quem é por demais evidente que o seu filho é excluido e pressionado negativamente, só porque é apenas um pouco mais imaturo que os restantes da sua turma, apesar de demonstrar uma capacidade e inteligência que ninguém pode pôr em causa. Ainda assim, a escola sabe marcar esta diferença aos 7 anos de idade, o que em vez de ajudar a criança a ultrapassar as suas dificuldades e a maturar, só reforça a sua diferença dos demais.

É triste, meu filho. Mas tu és capaz e vais conseguir, porque ainda há muito quem acredite em ti!

Segunda-feira, Março 20, 2006

Ala dos Namorados e Orquestra Chinesa de Macau: o baile dos sentidos

Música, teatro, dança, exposições, espectáculos vários compõem o vasto programa do XVII Festival de Artes de Macau, evento que anualmente traz a Macau vários nomes da arte contemporânea. De Portugal vêm sempre conhecidos nomes da música e este ano não foi excepção: Ala dos Namorados e Vitorino e o Septeto de Habana trouxeram-nos os sons da música portuguesa, que aqui tão longe, sabe tão bem ouvir.

Na sexta-feira troquei as aulas pela Ala e não podia ter feito melhor opção. No envolvente cenário da Fortaleza do Monte, espaço infelizmente curto para acolher todos os que quiseram apreciar a sua música, assisti a um dos mais lindos concertos que já passaram por Macau, inclusivé desta banda. Não foi só a belíssima voz de Nuno Guerreiro, não foi só o magnífico reportório do grupo, não foi só o cenário perfeito. Neste concerto a Ala fez-se acompanhar pela Orquestra Chinesa de Macau, orquestra que utiliza somente instrumentos musicais tradicionais chineses. O relevo que foi dado ora à banda, ora à orquestra, sem se neutralizarem uma à outra, provou que na música não há fronteiras. O resultado deste encontro entre culturas foi um espectáculo notável, dos mais belos a que assisti em Macau, em que me senti noutra dimensão, completa, cheia de mim, de música, dos mais variados sentimentos. O português cantado em terras da China, as lindas músicas da Ala, bem conhecidas, a sonoridade dos instrumentos chineses, Nuno Guerreiro a cantar em Mandarim, a assistência que, em uníssono, cantou "Perdidamente", tudo conjugado, resultou numa noite mágica, em que até as núvens que ameaçaram chuva, se retraíram perante a gradiosidade da sonoridade, perante o encontro perfeito.

Venham mais espectáculos assim; Macau precisa, eu preciso!

"Ai se eu pudesse... ter a paz...!
para te dar... um pouco do céu!
um pouco do sonho, um pouco de paz...
sem outra razão já valia a pena..."


(Sandra: vi-te por lá... mas não tive lata! :P )

Quarta-feira, Março 15, 2006

Vicissitudes do prédio onde moro

Ainda sobre o incidente de ontem, devo dizer que o meu prédio, tal como a generalidade dos prédios em Macau, tem um porteiro-vigilante. O meu porteiro esquece-se da parte de ser vigilante e é mesmo só porteiro - abre portas. Este homem também está encarregue de fazer a limpeza das partes comuns do prédio e nem vos conto a cor do mármore do chão!
Assim que ficámos encravados, apressámo-nos a tocar a campaínha de emergência, mas o senhor nem se dignou a aparecer ou a tentar fazer alguma coisa (tentar forçar a abertura da porta, por exemplo, como o meu Pai fez). O meu porteiro nem tem uma chave do elevador, o que teria sido suficiente para não ter que vir um batalhão de Bombeiros tirar-nos dali.
O meu porteiro é o mesmo que aqui há uns meses, aquando de uma fuga de gás numa das seis bilhas que o vizinho de cima tinha em casa, se esqueceu de me bater à porta para me avisar que saísse para a rua. Dei conta da situação por mero acaso, porque realizei que estava a ouvir um ruído estranho há já algum tempo e quando abri a porta de casa ia-me dando uma coisa má com o cheiro a gás que se fazia sentir no patamar da escada. Saio de casa a correr, com a miúda pela mão e o miúdo descalço e ao colo e quando chego ao rés-do-chão dou de caras com todos os meus vizinhos na rua, do lado de lá da estrada, à espera que algo acontecesse. Todos menos um: o do rés-do-chão, que também era português. Competente e zeloso, o meu porteiro esqueceu-se de avisar os kuai-lou's*.
As administrações dos prédios, nesta terra, são tudo menos democráticas, apesar de o assunto estar regulado legalmente. O que acontece no meu prédio, tal como em muitos outros, é que alguém tomou conta da administração do condomínio e nunca mais de lá saiu. A limpeza é mal feita, os canos estão a rebentar pelas costuras, quando chove muito temos que ir tirar os carros da garagem, que inunda, a manutenção do elevador é deficiente, a vigilância é o que está à vista.
Era preciso que as pessoas tivessem um bocadinho mais de consciência cívica, para que a responsabilidade sobre a administração do edifício fosse repartida pelos condóminos e a sua manutenção fosse mais digna das pessoas que cá moram que, acreditem, não são nenhuns pés-rapados (o meu Hyundai é a vergonha da garagem). Mas parece que não estão minimamente preocupados com assuntos como a limpeza, manutenção e segurança do local onde moram. É pena...

*kuai-lou - termo cantonense que significa "olhos de vaca". É como os chineses apelidam os ocidentais.

Terça-feira, Março 14, 2006

Hora de almoço atribulada

Ficar fechada num elevador encravado com uma filha em pânico e um filho do lado de fora não é seguramente a melhor forma de abrir o apetite para o almoço! Valeu-me o meu Pai, que é alto e tem força, estar connosco e fazer facilmente o que eu nunca teria conseguido fazer sozinha: uma nesgazinha de ar, dois pontinhos de rede no telemóvel e sobretudo, conseguir falar com o filhote, certificando-me que não sairia da minha vista, fizeram toda a diferença.
Por fim, fomos salvos por um batalhão de bombeiros (vieram dois carros de bombeiros, uma ambulância e um PSP).

Segunda-feira, Março 13, 2006

O ciclo imperfeito

Se a vida fosse de facto um ciclo em que colhêssemos o que semeamos, poderia ser muito fácil. Bastaria escolher a melhor semente e colheríamos sempre o melhor fruto. Mas não é assim... a vida é um ciclo imperfeito, em que muitas vezes colhemos o que não semeamos, em que as sementes degeneram, em que por vezes os melhores tratamentos e pesticidas, os melhores adubos e fertilizantes não evitam uma má colheita.

E quando assim é, será que não deveríamos deixar a terra entrar em pousio? Deixá-la parar, descansar, para que surja renovada, disposta a fazer crescer saudáveis aqueles frutos que plantámos com tanto carinho e que desejamos ver crescer e colher?

O pousio pode ser a via mais fácil, mas nem sempre é a melhor solução. Na vida não há lugar a pousios. Não nos podemos deixar adormecer. Sei que usei boa semente e que dela colherei o que espero. Tirar-lhe-ei cada erva daninha, dar-lhe-ei água, luz e ar, aplicar-lhe-ei os tratamentos que estiverem ao meu alcance e esperarei pacientemente pelo dia, que sei que chegará, em que dará o seu melhor fruto. Luminoso, suculento, perfeito.

Sábado, Março 11, 2006

Atocha - para que o Mundo não esqueça


Foto: descaradamente "roubada" ao Dani R. Martin

Quinta-feira, Março 09, 2006

“A quem darei todos os dias da minha vida? a voz que levo em mim impressa como o rumor dos jardins, os rebanhos descem pelas encostas, a neve abandona as giestas, uma banda de província comemora o entardecer. tu e eu dançaremos como antigamente o verão nos chamava, pelas romarias, e passaremos as noites em viagem. reinventei o mundo agora, tu o fizeste assim, uma única vez se diz o nome que nos fez voar sobre as searas. a quem darei a minha vida? aquilo que deixámos um no outro marcado como um fogo, o sobressalto, as novas palavras. o tempo demora, e volve, devagar, sobre si mesmo, nos pátios mais antigos. do primeiro ao último dia, a quem darei todos os dias da minha vida?”

Francisco José Viegas in
Revista Ler, Outono de 1992

Quarta-feira, Março 08, 2006

Para ti, mulher!


Foto por: Noite

E que o dia Te sorria... Sempre!

Segunda-feira, Março 06, 2006

O português em terras do Oriente

Vim pela primeira vez para Macau há vinte anos. Cedo percebi que o português não era língua corrente nesta terra. Durante muitos anos nunca teve grandes aspirações: contentou-se com o facto de ser língua oficial e de ser utilizada na administração pública, o que por si só não foi suficiente para que fosse acolhido pela população. Nunca foi língua corrente, nunca foi ensinado nas escolas chinesas, nunca foi amado.
Ao contrário do inglês na vizinha ex-colónia britânica, que quase toda a gente conhece, são raros os chineses de Macau que sabem o português. E tanto assim é, que automaticamente partimos do princípio de que as pessoas seguramente não falam. Mas por vezes temos surpresas.
Num destes dias cinzentos e chuvosos, numa das muitas procuras do chapéu para o meu cowboy, procurei uma loja que conhecia, que vendia artigos em verga e palhinha. Sem grandes esperanças, mas não querendo pôr à partida de lado uma - ainda que remota - possibilidade de encontrar um chapéu, pus-me a caminho por entre o trânsito infernal já habitual nos últimos tempos, agravado pela chuva intensa que se fazia sentir. Encontrado um lugar próximo para o carro, lá fomos calcorreando aquela rua conhecida, à procura da dita loja. Fizémos apenas aquela parte da rua, já que eu sabia que a loja ficava por ali. "Não, não me digas que fechou..." - penso, embora não seja de espantar nos dias de hoje, em que todos os dias assistimos ao fecho de lojas do comércio tradicional, para serem substituidas por todo o tipo de franshisings pouco interessantes. Andámos mais uma vez para cá e para lá e nada. Entrei numa loja que me parecia estar no exacto local da outra. Podia ser que tivessem apenas feito algumas alterações (embora me custasse a crêr...). Entrámos, olhámos em volta e percebi que era um local onde se faziam massagens. Nada de vergas ou palhinhas. Olhei para uma senhora, sorri com ar comprometido, passei a mão na cabeça que pedia um chapéu e disse "anda filho, já não é aqui", sem nada perguntar a ninguém, claro, para quê? Primeiro que me conseguisse fazer entender... Foi então que a senhora me surpreendeu:
- Não vai fazer massagem?
- Fala português...
- Sim...
- Não, massagem não vou fazer, mas... procuro a loja que estava aqui antigamente... uma de mobílias... sabe alguma coisa...?
- Sim, tenho aqui um cartão. Mudou para a Rua de S. Paulo"

Na Rua de S. Paulo havia loja e não havia chapéu, mas eu tinha ganho uma história para contar. Apesar de muito pouco, ainda há quem fale a minha língua!

Terça-feira, Fevereiro 28, 2006

O meu pensamento do dia

Verdadeiro Carnaval é hoje haver 3 horas de Obrigações!

É Carnaval!

Dei de caras com o Carnaval no sábado passado. Em terras budistas, este evento só se assinala na escola e no jardim de infância portugueses e nem consta do calendário. Neste contexto, nenhuma loja tem vestimentas de Carnaval ou chama a atenção para o assunto; simplesmente não existe e a data facilmente passa despercebida até às vésperas, quando recebemos um recadinho da escola a lembrar do habitual desfile de máscaras dos mais pequenos.
O que vale é que ele não liga nenhuma ao Carnaval, nunca achou muita piada e sempre vestiu coisas muito simples e só para não destoar dos demais (ao contrário da irmã, que sempre fez questão de ir vestida a rigor, com fatos feitos pela avó). As lojas de brinquedos, por aqui, também já são espécies em vias de extinção e por isso não é nada fácil arranjar que trajar, assim à pressa (há uma loja na Taipa que volta e meia tem umas coisas, mas esteve convenientemente fechada durante o dia de ontem, véspera de Carnaval)
Eu tinha para ele um chapéu de pirata, que uma vez havia comprado já a pensar nestas surpresas. Era fácil, bastava comprar uma pistola (ele nunca teve nenhuma) e o resto arranjava-se por casa (calções de ganga, camisa, lenço à cintura, uma pála para o olho). Arranjámos uma pistola, felizmente (estava com medo de não arranjar uma pistola das antigas, agora todas têm ar de "starwars"). Era uma pistola de xerife: traz coldre, distintivo e ainda faz barulho quando é disparada. Ao ver o menino da caixa, o pirata depressa se transformou em cowboy. Por mim, tudo bem, foi fácil de resolver. O pior foi o chapéu. Corremos Macau e Taipa debaixo de chuva e nada! Já à beira do desespero e durante a manhã de hoje o Pai encontrou um chapéu de tecido, de adulto... e branco. Sempre é um chapéu de cowboy!

Foto:Noite

Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006

O cuidado com as palavras

Devido à doença súbita do meu carro, conduzi o do Dia, com os miúdos. Quando o fui buscar à oficina, onde conseguiu ir deixar o meu "verdinho" e assumiu novamente o volante do seu bólide, notou imediatamente que tinha sido "assaltado".
- Quem mexeu nas minhas pastilhas?
- A Mãe deixou-me tirar duas e eu dei uma à Joana e outra a mim próprio!

13 anos de casados depois...

ele ofereceu-me um anel de noivado! :)

Domingo, Fevereiro 26, 2006

Febre de sábado à noite

Seguia eu pela Rua do Campo, uma das artérias mais movimentadas da cidade (não sei se ainda posso dizer isto hoje em dia; creio que neste momento todas as artérias são muito movimentadas), quando sinto o meu carro a falhar. Meto a segunda, acelero, ainda dá sinal de si, mas depressa se deixa morrer. Tento novamente, mais uma vez me dá ligeiro sinal de vida. Não consigo reanimá-lo. A velocidade diminui, o condutor de trás, com pressa, dá sinais de irritação, os quatro piscas que não acendem, nem o pisca, tão pouco. Felizmente ainda andou até um local onde não estrangulou o trânsito por completo. Morreu!
Os polícias de trânsito não se fizeram esperar, mas em vez de darem uma ajudinha, ou de perguntarem o que se passsava, limitaram-se a fazer um jesto ostensivo de "avançar". Como se me apetecesse estar ali parada.
O que vale é que o Dia estava por perto, de carro também. Trocámos posições e eu segui caminho com a criança mais pequena, enquanto ele resolvia o assunto (tínhamos um jantar em casa de amigos; o que vale é que aqui tudo é perto). É incrível, como do polícia para o homem do reboque, este passou de 600 (60 euros) a 250 patacas (25 euros). Quem seria o beneficiário da diferença?
Depois de uma ida ao "médico" a viatura já vive e está de saúde, felizmente (senão, era o bom e o bonito!)

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006

King of Sorrow

I'm crying everyone's tears
And there inside our private war
I died the night before
And all of these remnants of joy and disaster
What am I suppose to do

I want to cook you a soup that warms your soul
But nothing would change, nothing would change at all
It's just a day that brings it all about
Just another day and nothing's any good

The DJ's playing the same song
I have so much to do
I have to carry on
I wonder if this grief will ever let me go
I feel like I am the king of sorrow, yeah
The king of sorrow

I suppose I could just walk away
Will I disappoint my future if I stay
It's just a day that brings it all about
Just another day and nothing's any good

The DJ's playing the same song
I have so much to do
I have to carry on
I wonder will this grief ever be gone
Will it ever go
I'm the king of sorrow, yeah
The king of sorrow

I'm crying everyone's tears
I have already paid for all my future sins
There's nothing anyone
Can say to take this away
It's just another day and nothing's any good

I'm the king of sorrow, yeah
King of sorrow
I'm the king of sorrow, yeah
King of sorrow

Sade Adu


Há dias, horas, momentos em que inevitavelmente uma canção ronda a minha cabeça. Às vezes pergunto porquê, porquê esta canção e não outra. Geralmente não anda muito longe do que sinto...

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006

Os meus hábitos estranhos

Como se já não bastasse ter revelado o meu verdadeiro nome a toda a blogoesfera, o António ligou-me a esta corrente, que me fará revelar cinco estranhos hábitos meus. Na verdade tenho tantos hábitos estranhos, que revelar apenas cinco seria muito pouco, por isso revelo vários, em cinco temáticas. Aqui vão:

A escolha das canetas
A escolha da caneta com que escrevo é uma verdadeira paranóia. Tem que ser de escrita grossa e deve ter "grip", para que não me magoe o dedo médio (o meu calo é enorme), porque ao escrever faço imensa força na caneta. Antes de comprar uma caneta, na loja, experimento imensas. Se acho que uma me satisfaz, compro logo duas ou três, porque tenho medo que desapareçam! Quando chego a casa e me ponho a escrever com ela, por vezes dou conta que a escolha não foi a melhor... ponho-as logo a um canto e no dia seguinte volto "à carga", noutra papelaria.
Tenho a mania que a caneta com que estudo é a que sabe a matéria, por isso opto por escrever com essa no exame. Quando esta está no fim ou quase, fico com verdadeiro receio em usar outra!

O lugar junto à parede
Numa sala de aula, num café, num restaurante, tento sempre ficar no lugar junto à parede e de preferência de frente para a porta (esta parte deve ser mais para ver quem entra, que outra coisa).

Estender a roupa
Quando estendo uma peça de roupa que leve mais que uma mola, as molas têm que ser da mesma cor, que de preferência deve condizer com a cor da peça de roupa estendida.

Dormir
Na minha cama há várias almofadas, mas as minhas só servem verdadeiramente para encosto. Só ficam na cama até eu ir dormir: enquanto leio ou vejo TV encosto-me a elas, quando chega a hora do soninho expulso-as para a cadeira do lado e deito-me a dormir sem almofada... e de barriga para baixo! Só assim consigo adormecer.
A maioria dos casais determina o lado da cama de um e de outro; não é o nosso caso. Durma onde dormir, fico sempre no lugar mais longe da porta. Não sei porquê, imagino sempre alguém a entrar-me pelo quarto durante a noite e a esfaquear-me barbaramente (ando a ver filmes a mais). Não é que eu ache que estando mais longe da porta já não serei esfaqueada, ou que o assassino se ficará por esfaquear o meu marido. Acho mesmo que com ele daquele lado, já não aparece ninguém.

Na condução
Dado o contexto em que me encontro, tenho várias estranhas manias, verdadeiramente diferentes da maioria dos demais, senão, vejam:
Ponho sempre o cinto de segurança, por mais pequena que seja a viajem;
Páro sempre nas passadeiras;
Acendo as luzes quando chove, está nevoeiro e ao fim da tarde;
Não mudo de faixa sem fazer pisca;
Não passo traços contínuos;
Não sigo com metade do carro na faixa contrária, na minha rua;
Não conduzo a passo de caracol na faixa da direita (recordo que o trânsito aqui faz-se pela esquerda);
Não estaciono em locais proibidos.
Sim, acreditem que em Macau estes são hábitos verdadeiramente estranhos!


Regulamento do jogo:"Cada bloguista participante tem de enumerar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Além disso, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

A quem faço este desafio:
Vague - La marée haute
Bastet - Sol&tude
Isabel Magalhães - À rédea solta
Urso Polar - Urso Polar
Nazaré - Sub Imo Corde

Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

Mi-nap

Como o frio anda a brincar connosco, ora aparece, ora tira umas folgas, vi-me na necessidade de comprar um mi-nap para cada um dos miúdos. O Gonçalo havia perdido o blaser da farda da escola há um par de meses e a Joana há muito que reclamava um mi-nap do tamanho acima.
Um mi-nap é um casaco típico chinês, em seda e acolchoado, por isso quente e muito confortável. É um dos acessórios possíveis da farda da Escola Portuguesa de Macau durante o Inverno e nem é necessário colocar-lhe o emblema da EPM.

Foto por: Noite

Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006

Como um sonho acordado

Como se a Terra corresse
Inteirinha atrás de mim
O medo ronda-me os sentidos
Por abaixo da minha pele
Ao esgueirar-se viscoso
Escorre pegajoso
E sai
Pelos meus poros
Pelos meus ais
Ele penetra-me nos ossos
Ao derramar-se sedento
Nas entranhas sinuosas
Entre as vísceras mordendo
Salta e espalha-se no ar
Vai e volta
Delirante
Tão delirante
É como um sonho acordado
Esse vulto besuntado
A revolver-se no lodo
A deslizar de uma larva
Emergindo lá no fundo
Tenho medo ó medo
Leva tudo é tudo teu
Mas deixa-me ir

in "Como um sonho Acordado"
"Por Este Rio Acima"
Fausto

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006

Be my Valentine

Sim, eu sei que foi ontem e que aqui no blog deixei passar a data em branco (ou em rosa, de acordo com o background). Nunca me apetece escrever sobre o assunto em cima dele. Apetece-me sempre um dia antes ou depois, mas não no momento, o momento é para ser vivido e enquanto não me distancio um bocado dele, não me apetece parar para escrever. Mas fartei-me de brincar ao Valentine's no Ante et Post. Foi giro, vão lá espreitar!

Baldei-me às últimas aulas (não a todas, não exageremos, foi só às últimas), os miúdos ficaram em casa e fomos jantar juntos, só nós dois. Não é que tenha que existir um dia dos namorados para nos lembrarmos de namorar, mas se ele existe (se bem que mais com propósitos comerciais que outra coisa, eu sei), porque não assinalar a data, entrar no jogo, caprichar um pouco? E aproveitarmos para estarmos sós, que é coisa rara. E sabe bem. E faz falta.

Porque o Amor é o que fizermos dele.


Kim Casali

Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006

Confirma-se!

O crime compensa! :)

Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006

Fatalidades

"Neste mundo nada está garantido senão a morte e os impostos"

Benjamin Franklin

Terça-feira, Fevereiro 07, 2006

Sistema de comentários

Blogger ou Haloscan?

Eis a questão...

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

Morde?


Foto: Noite

Não faço ideia do que acontecerá ao tocarmos neste cão, mas seja lá o que for, presumo que só aconteça a quem lê o chinês!

Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006

Só 29?

Apito Dourado: constituídos 29 arguidos em Gondomar

Previsões para o Ano do Cão*

Cabra
(2003 1991 1979 1967 1955 1943 1931 1919 1907 1895)
É uma pessoa muito ponderada, que pensa mil vezes antes de agir. Bom amigo, é incapaz de magoar alguém deliberadamente. Muito sensível, gosta de se ver rodeado pelas pessoas de quem gosta. Viajar é um dos seus passatempos preferidos, mas são as coisas simples que lhe dão grandes alegrias. Embora seja organizado, não gosta de viver condicionado por regras.

A Cabra gosta de coisas finas e extravagantes. Socialmente, não é um ano para isso. No meio de muitas festas, reuniões barulhentas e eventos cheios de gente, tudo será “comum”, sem excessos ou loucuras, e a Cabra vai sentir-se deslocada. Mas esse desconforto social será compensado nos negócios, área na qual a Cabra terá uma boa safra de oportunidades e sucessos.


Dragão
(2000 1988 1976 1964 1952 1940 1928 1916 1904 1892)
É, sem dúvida, um ser especial e que raramente passa despercebido. Culto, interessa-se pelo mundo que o rodeia e tem uma vivacidade única. Muito seguro de si, entrega-se de corpo e alma ao que faz. Generoso, é capaz de tudo para ajudar um amigo. Os chineses acreditam que os dragões terão sempre êxito no que fizerem, pois nasceram bafejados pela sorte.

Este será um óptimo ano para o Dragão, desde que ninguém lhe peça para fazer nada. No ano passado, o conselho ao Dragão foi ficar parado fingindo que sabia o que estava a fazer (embora, de fato, não estivesse a fazer nada). O Dragão é um signo de aparências por excelência. É tão magnífico que não precisa fazer muito para ter sucesso. No caso do Ano do Cão, o Dragão terá que contar com a influência de um animal que não o compreende bem e ainda por cima se irrita com seu exibicionismo. Por isso, o Dragão deve tentar chamar menos a atenção para si e tentar ser discreto.


Galo
(2005 1993 1981 1969 1957 1945 1933 1921 1909 1897)
Divertido, é sempre uma excelente companhia, pois espalha alegria à sua volta. Muito preocupado com a sua imagem, anda sempre arranjado e bem vestido. o galo é também generoso, estando sempre disponível para ajudar alguém. Independente, não gosta de aceitar conselhos. Muito directo, diz o que pensa, o que por vezes magoa os outros.

Para o Galo, será uma ano complicado. A pobre ave vai estar às voltas com problemas emocionais e financeiros, tudo resultado de suas acções em 2005. O Galo não gosta de confusão e adora mandar. O caos e o barulho deste ano vão incomodá-lo e quase enlouquecê-lo. Também será muito solicitado (como todos os signos), mas a diferença é que o Galo cumpre o que promete. Se ele diz que estará presente, pode contar-se que estará. Assim, vai correr de um lado para outro tentando prestar atenção a todos – e todos vão pedir – e vai acabar estafado e sem energia para fazer outras coisas.


Macaco
(2004 1992 1980 1968 1956 1944 1932 1920 1908 1896)
Dotado de uma inteligência natural, resolve os problemas com grande facilidade. É uma companhia divertida, por isso tem muitos amigos, que lhe fazem algumas confidências. Determinado, luta por aquilo que quer com muita garra, mas é incapaz de magoar propositadamente.

Se o Macaco, com a sua esperteza e jogo de cintura, não tiver um bom ano financeiro, todos os outros signos podem perder as esperanças e juntar latas de sardinha para sobreviver a uma crise mundial. O Macaco vai ter sucesso, não só nos negócios, mas também no amor. Para ele, será um bom ano, pois o regente é um grande amigo. O Macaco estará à vontade neste ano, o que acarretará brincadeiras de gosto duvidoso em festas e reuniões sociais.


Porco
(2007 1995 1983 1971 1959 1947 1935 1923 1911 1899)
Muito dedicado aos outros, é também honesto, o que cativa muita gente. No início, é reservado, mas quando ganha confiança revela-se um ser bastante divertido. Detesta discussões, pois tem um carácter pacífico e tolerante, mas quando luta por algo, fá-lo com muita garra.

O porco terá um bom ano financeiro, embora meio setressante, mas a área sentimental vai depender da paciência com o clima ansioso que se instalará. Os amigos do Porco estarão felizes na sua companhia. Felizes até demais. O Porco gosta de gente, mas nem tanto. A sua natureza prática fá-lo dividir os amigos por actividades e isso vai deixar muita gente aborrecida este ano. O Porco não tem intenção de excluir ninguém. Apenas acredita que sabe o que é melhor para os outros. O conselho deste ano é não excluir. A energia do ano vai colocar as pessoas certas no lugar certo e todos vão divertir-se sem culpa.


Rato
(2008 1996 1984 1972 1960 1948 1936 1924 1912 1900)
O primeiro animal do horóscopo chinês. Os seus nativos são pessoas activas e inteligentes, que gostam de fazer valer as suas ideias, o que nem sempre é bem interpretado pelos outros. Organizado, o rato é também justo nos seus julgamentos e detesta as traições. Bem-disposto, faz amigos com facilidade, mas preserva muito a sua privacidade.

O Rato passou 2005 inteiro a tentar juntar algum dinheiro. Provavelmente vai fazer o mesmo em 2006! O Ano do Cão será um bom ano para todos, mas alguns signos precisam de se adaptar a algumas coisinhas antes de meterem a cabeça aos planos! O Rato, por exemplo, tem por hábito dar um jeitinho em tudo. No ano do Cão, essa esperteza do Rato vai ganhar também o entusiasmo que às vezes lhe falta. É que o Rato adora dinheiro, mas não gosta tanto assim de trabalhar. Como vai haver muita festa e muitos encontros entre amigos este ano, o Rato vai sentir uma energia enorme para trabalhar.


Cavalo
(2002 1990 1978 1966 1954 1942 1930 1918 1906 1894)
A independência é uma das suas características, mas adora estar rodeado de amigos. Bom orador, não se importa de ser o centro das atenções. Impaciente, não é capaz de guardar um segredo durante muito tempo. Na verdade, a sua impulsividade por vezes sai-lhe cara.

Bom ano para o Cavalo, especialmente o que trabalhou e investiu bem em 2005. O Ano do Cão não será um ano para começos e sim para continuidade. É hora de gozar os frutos do seu trabalho! Nos negócios, o Cavalo atrairá a simpatia de todos pelo seu modo falante. Será o mais simpático do escritório e todos vão querer fazer parte da sua equipa. Para tirar o melhor proveito deste ano, o Cavalo deve estar atento às suas deficiências. Não tem grande manancial de ideias, nem é alguém que resolve problemas. Portanto fique longe dessas duas tarefas, por mais que seja contra sua a natureza dizer “eu não sei”.



Cão
(2006 1994 1982 1970 1958 1946 1934 1922 1910 1898)
Honesto e muito corajoso, o cão está sempre disposto a lutar por uma causa justa ou defender amigos em dificuldades. Raramente se deixa levar pela aparência, procurando ir mais fundo. Impaciente, vive todos os problemas com muita ansiedade, o que acaba por ser negativo para ele.

Um ano afectuoso e cheio de amor e amizade para o Cão. Será convidado para festas, reuniões, viagens! Todos vão querer compartilhar de seu humor e estar na sua presença. Infelizmente, o Cão ficará tão feliz com isso que não dará muita atenção aos negócios, que poderão não ser tão promissores quanto poderiam. Em família e entre amigos, será um ano maravilhoso para o Cão. Correrá e brincará como se não houvesse nenhum tipo de problema no mundo. O melhor é que a sua vontade de ser amado será o que todos procuram neste ano e o Cão não se vai sentir carente. Será a grande estrela das festas, aquele que todos esperam ver chegar e lamentam quando se vai. É o ano do Cão brilhar em sociedade, pois estará patente o seu coração enorme e sua alma nobre.


Búfalo (este sou eu)
(2009 1997 1985 1973 1961 1949 1937 1925 1913 1901)
É calmo e perseverante, e quando dá a sua palavra vai até às últimas consequências para a cumprir. Tudo que faz é pensado duas vezes, por isso raramente corre riscos. Teimoso por natureza, nem por isso deixa de ser afável. É poupado, mas pouco ambicioso. Introvertido, demora algum tempo a fazer amizades, mas as que faz são para toda a vida.

O Búfalo vai demorar a animar-se com o ano novo, pois será atingido pelo movimento e correria típicos do Cão. Para a sua natureza calma, o ano será realmente agitado demais. O importante é não se entregar aos queixumes do “antigamente é que era bom” e encarar as coisas boas que este ano lhe traz! No trabalho, a falta de criatividade do Búfalo vai atrapalhá-lo um pouco, mas sua eficiência vai compensar isso. A persistência no trabalho é admirável, mas poderá deixá-lo doente (e não é força de expressão) se alguém n